Premium Salaviza: "Vamos ter uma relação com os krahô para o resto da vida. Haja ou não filmes"

João Salaviza e Renée Nader Messora criaram uma relação com indígenas do Brasil que vai além do cinema. O filme de ambos, Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, premiado pelo júri em Cannes, chega hoje às salas.

"A gente tinha levado um gerador pequenino de gasolina e projetava filmes. Eu tinha feito uma seleção de Chaplin e Buster Keaton. A molecada pirou. Eles ficaram malucos. [Os filmes] Eram projetados num lençol, à noite." Foi há cerca de dez anos que a realizadora Renée Nader Messora chegou pela primeira vez a uma aldeia krahô, povo indígena do Brasil.

Foi nesse momento, recorda, que pensou que haveria de voltar e trabalhar no campo audiovisual com aquelas pessoas. Estava, contudo, longe de imaginar que haveria de ganhar ali um novo nome, que, depois de várias visitas, voltaria mais tarde já não sozinha mas com João Salaviza, com quem ali dirigiu e filmou Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, e que ambos voltariam ainda mais tarde com a sua filha, Mira, de pouco mais de um ano, que, enquanto conversamos, passeia-se e brinca ali à volta. Os dois ponderam viver um período das suas vidas na aldeia onde tudo isto aconteceu, a aldeia krahô de Pedra Branca, em Tocantins, estado do interior do Brasil. Mira poderia estudar "um ou dois anos na escola indígena. Na verdade, é um privilégio ser criança numa aldeia indígena", diz Renée.

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