Não havia tantas greves desde 2015. Hoje há mais uma

O governo enfrenta hoje a segunda grande greve da função pública dos últimos quatro meses.

No ano passado, foram entregues 733 pré-avisos de greve, o valor mais elevado desde 2015, quando os sindicatos comunicaram 811 paralisações. Os dados mostram uma evolução sempre a subir desde que o governo da geringonça tomou posse no final de novembro de 2015. Os pré-avisos de paralisação podem não se concretizar, mas são um indicador da contestação dos sindicatos.

No primeiro ano completo do atual executivo foram comunicados 488 pré-avisos, mas depois aumentaram consecutivamente e os sindicatos prometem que não vão aliviar a pressão. "Antevemos uma primavera e um verão quentes", reafirma José Abraão, secretário-geral da Federação de Sindicatos da Administração Pública (Fesap).

De acordo com os dados da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, é no Setor Empresarial do Estado (SEE) que o número de pré-avisos de greve mais subiu nos últimos quatro anos. O dirigente sindical lembra que em causa está a "degradação" dos salários dos funcionários públicos "que não são aumentados há dez anos". José Abraão sublinha ainda que há a questão das carreiras, como por exemplo, dos polícias municipais, a que se junta a "questão da ADSE".

Já hoje e amanhã, os funcionários públicos vão cumprir uma greve que deverá ter um impacto mais visível nos setores da saúde, educação, finanças e autarquias, podendo levar ao encerramento de escolas e deixar o lixo por recolher. Na base do protesto, que envolve sindicatos da CGTP e da UGT, está o facto de o governo prolongar o congelamento salarial por mais um ano, limitando-se a atualizar o nível remuneratório mais baixo da administração pública de 580 para 635,07 euros, ajustando-o ao aumento do salário mínimo nacional para 600 euros, sem garantir a manutenção dos pontos para a progressão na carreira.

A paralisação não é, contudo, uma greve geral da função pública como aconteceu em outubro do ano passado. O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) optou por se colocar à margem. A presidente do STE justifica com as negociações ainda em curso com o governo. "Estamos num processo negocial sobre a contagem dos pontos", declarou Helena Rodrigues ao Dinheiro Vivo. A dirigente sindical lembra ainda que "há um conjunto de trabalhadores que estão numa posição remuneratória baixa e que não podem dispensar dois dias de salário". A greve é uma "medida a utilizar em último recurso. Vamos aguardar", conclui Helena Rodrigues. Já a Fesap admite mais greves neste ano.

paulo.pinto@dinheirovivo.pt

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