Premium Os últimos suspiros biográficos de Cobain, Cohen, Bowie e Elton

Kurt Cobain, 512 páginas. Elton John, 357 páginas. Leonard Cohen, 616 páginas. David Bowie, 168 páginas... Quatro biografias quase bíblicas para os fãs irredutíveis dessa aldeia que em tempos foi a música popular.

Chamar ladrão de ideias e de músicas a Kurt Cobain pode não ser a melhor forma de começar uma biografia de 500 páginas como fez Charles R. Cross, mas é assim que na terceira página o autor cataloga o biografado. A partir daí tudo é atribuído ao vocalista dos Nirvana e tudo lhe é retirado, acabando por pairar como um anjo que morreu cedo de mais porque não cabia no inferno que criou na Terra. Na sua autobiografia, Elton John escapa ao retrato perfeito que poderiam fazer de si e começa estas 350 páginas de uma montanha-russa de altos e baixos na carreira a dizer que no início "não parecia uma estrela pop" porque tinha um nome foleiro e vestia-se mal. A Leonardo Cohen quase tudo é perdoado e se usado contra si só o engrandece. A David Bowie coube uma espécie de novela gráfica em que os autores começam por dizer a cansada frase sobre o cantor: "Bowie foi um mestre do artifício e do disfarce."

De tão diferentes, o lançamento de quatro biografias quase em simultâneo a pensar nas prendas de Natal poderia ser um desastre comercial, mas os leitores perdoam tudo aos ídolos mortos e apreciam saber como foram essas vidas. Até porque, apesar de serem personalidades muito diferentes, qualquer um destes deuses ressuscitados para o Natal podem interessar a um único leitor - por fazerem parte de uma mesma época analógica.

Ler mais

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG