Premium "O CDS tem um discurso de esquerda que só pode provocar um desaire eleitoral"

Pedro Borges de Lemos, que lidera a corrente de opinião CDSXXI, que se diz alicerçada na democracia-cristã, afirma em entrevista ao DN que teme a "insolvência" do partido no pós-legislativas. Assunção Cristas não tem conseguido ter o talento de Paulo Portas para gerir as incoerências do seu discurso, garante o militante, muito crítico da atual direção. O que, frisa, tem afastado o eleitorado de direita.

O mau resultado que o CDS teve nas europeias é preocupante para o partido? Poderá repetir-se agora nas legislativas?
Não há dúvida nenhuma de que as europeias são sempre uma espécie de primárias relativamente àquilo que poderão ser os resultados nas legislativas. Tenho vindo a fazer críticas em relação à atual direção e à linha que está a seguir e já tinha dito que isto podia acontecer. Ou seja, que o resultado eleitoral do CDS poderia ser um resultado mau. Nunca pensei que fosse tão mau.

É a mensagem de Assunção Cristas que não está a resultar?
Há dois aspetos que podem justificar este resultado eleitoral e que têm que ver com a linha seguida por Assunção Cristas. Há dois pontos fracos na sua liderança. Primeiro, Assunção Cristas não apostou na implantação autárquica do partido. E esse é um ponto crucial, porque o CDS, quando teve melhores resultados eleitorais, era quando tinha uma maior implantação autárquica. No tempo do Eng.º Adelino Amaro da Costa e do Dr. Freitas do Amaral, o CDS tinha cerca de 38 presidentes de câmara, neste momento tem seis; tinha cerca de 500 vereadores, neste momento acho que nem chega a 50; tinha 600 presidentes de junta, neste momento tem poucas dezenas. Este aspeto, que foi descurado, já vem de trás, mas não só durante o consulado de Assunção Cristas, é extraordinariamente importante para o que poderá ser um sucesso eleitoral.

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