INE avança com Censos 2021 e começa a recrutar em janeiro

Operação vai mobilizar uma equipa de 15 mil pessoas, metade do pessoal ao serviço do recenseamento geral de há dez anos.

Apesar da pandemia, o Instituto Nacional de Estatística (INE) decidiu avançar com os Censos de 2021, com maior uso de tecnologias e um plano de contingência, permitindo o recrutamento temporário de milhares de recenseadores no início do próximo ano. A equipa terá 15 mil pessoas, metade daquela que realizou a operação de 2011.

A possibilidade de adiamento do recenseamento geral da população e do alojamento em Portugal foi colocada em cima da mesa, devido às dificuldades com que as equipas do INE se têm deparado desde março devido à covid-19, com limitações, por exemplo, ao nível da realização dos inquéritos ao emprego durante o estado de emergência. O cancelamento do trabalho de campo presencial em todas as operações estatísticas do INE também determinou a suspensão do inquérito-piloto dos Censos que estava programado para entre os meses de março e maio.

Já empurrar o recenseamento para 2022 implicaria não cumprir com as regras censitárias europeias. Os obstáculos à mudança de calendário foram pesados pelo Conselho Superior de Estatística em maio, que deixou ao INE a procura da melhor solução. A decisão acabou por ser a de manter os Censos em março do próximo ano, em colaboração com as autarquias, e tendo em conta que as eleições autárquicas deverão decorrer no último trimestre de 2021.

Teste em novembro

"Após uma rigorosa análise e avaliação das consequências de uma alteração do ano censitário e da viabilidade da sua realização conforme planeado, o INE decidiu manter a operação em 2021", revela o instituto em resposta ao Dinheiro Vivo. Para tal, os Censos exigem este ano um plano de contingência que irá, segundo o INE, "garantir a qualidade da execução dos censos e acautelar os riscos para a população e estrutura de recolha que a operação comporta no atual contexto epidemiológico".

O INE vai agora preparar para dentro de dois meses o teste derradeiro ao maior inquérito de Portugal. "Em novembro de 2020 será realizado o último teste dos Censos 2021, a decorrer nas sete regiões do país, e que tem como principal objetivo testar os processos de recolha que suportam a operação censitária", indica o instituto.

Contratos à tarefa

Já em janeiro, será a vez de começar a recrutar pessoal para a operação, naquela que poderá ser uma garantia temporária de trabalho e remuneração para muitos dos que ficaram desempregados devido à pandemia. O recrutamento é feito para contratos à tarefa, com os recenseadores a ganharem em função dos inquéritos realizados. Ainda assim, o INE pretende ter ao serviço apenas metade do pessoal que realizou os Censos de 2011.

"A estrutura de recolha prevê cerca de 15 mil intervenientes com diferentes funções, dos quais cerca de 11 a 12 mil na qualidade de recenseadores", refere o instituto. Em 2011, a operação envolveu 30 mil pessoas, das quais 25 mil recenseadores, com o INE a ver então reforçado o orçamento em 45 milhões de euros.

Inquéritos online

Os Censos de 2021 serão os primeiros fora dos moldes tradicionais, privilegiando os inquéritos realizados via Internet. A medida foi prevista já no ano passado, mas torna-se agora mais relevante com a pandemia.

O plano de contingência da operação prevê, segundo o INE, um "protocolo de segurança de saúde pública ao abrigo das regras emanadas pelas autoridades de saúde, uma estratégia que reforça a opção pela recolha de informação através da internet e o apoio à população através de uma linha telefónica, e o reforço dos mecanismos de controlo do trabalho de campo e de validação da informação recolhida num contexto de crise pandémica".

Além disso, o INE indica que os recenseadores vão trabalhar nestes Censos com uma nova aplicação móvel e maior recurso às tecnologias da informação.

Maria Caetano é jornalista do Dinheiro Vivo.

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