Premium São Tomé é independente

No jornal do dia seguinte, relatava-se como o povo recebera a independência de São Tomé, sexto país de expressão portuguesa a consegui-la.

"A satisfação foi demais para o povo santomense". Assim se titulava no Diário de Notícias o relato da independência do sexto país de expressão portuguesa a ganhar este estatuto, um ano passado sobre o 25 de Abril em Portugal.

Na reportagem assinada por Jorge Soares, enviado especial do DN, contava-se como os habitantes saíram à rua com gritos de "independentes", quando "às 9.35 (10.35 em Lisboa) de sábado, o presidente da Assembleia Representativa do Povo proclamava a independência do arquipélago, pondo assim termo a quinhentos anos de exploração colonial portuguesa".

O artigo descrevia "um novo capítulo na história das frondosas ilhas do Atlântico Sul" que agora começava, virando-se a "página negra de sucessivos anos de escravidão, exploração e dependência, em que muitos heróis anónimos e conhecidos caíram na luta constante pela libertação total". E o repórter contava como "toda a cidade oferecia, desde as primeiras horas da manhã, um cativante ar de festa, nos múltiplos arcos embandeirados e o colorido das gentes que começavam a afluir para os festejos".

Infelizmente, a impressão era ainda nesses dias a preto e branco. Mas as imagens são testemunho do entusiasmo que então se viveu.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.