Premium Sarampo. Por que se vacina menos em Lisboa e no Algarve?

A mobilidade da população e os atrasos na vacinação na idade recomendada são causas apontadas para uma taxa de cobertura inferior ao desejado nestas duas regiões que contrariam os números nacionais.

Lisboa e Vale do Tejo e o Algarve são as zonas do país em que há uma cobertura da segunda dose das vacinas contra o sarampo, a papeira e a rubéola abaixo dos 95% recomendados pela Organização Mundial da Saúde para assegurar a proteção da comunidade, através da imunidade de grupo, que contrariam os números nacionais.

Com dados de 2018 na mão, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, diz ao DN que em Lisboa e Vale do Tejo, na segunda dose da vacina contra o sarampo, aos 6 anos, a taxa de cobertura é de 94,2%. "Quando se avalia aos 7 anos já conseguimos captar mais meninos, temos 96,4%." Já na região do Algarve, há uma taxa de cobertura de 93% na segunda dose, aos 6 anos. "Quando dou uma tolerância para captar meninos que não foram vacinados na idade recomendada já tenho 95,4% aos 7 anos", salienta Graça Freitas, que enaltece o esforço "hercúleo" feito pelos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) destas duas zonas do país na repescagem de crianças com vacinas em atraso.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Os deuses das moscas

Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.