Uma divisa: "Procuro preocupar-me apenas com aquilo que me diz respeito"

O escritor e jornalista angolano João Melo tem uma definição para a felicidade perfeita: dinheiro q. b., saúde, família, amigos, silêncio, livros, boa música, viagens, a visão e o rumor do mar.
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A sua virtude preferida?

Modéstia.

A qualidade que mais aprecia num homem?

Elegância.

A qualidade que mais aprecia numa mulher?

Independência.

O que aprecia mais nos seus amigos?

Frontalidade, tranquilidade e cumplicidade.

O seu principal defeito?

Ingenuidade.

A sua ocupação preferida?

Escrever.

Qual é a sua ideia de "felicidade perfeita"?

Dinheiro q. b., saúde, família, amigos, silêncio, livros, boa música, viagens, a visão e o rumor do mar.

Um desgosto?

O fim da "primavera" angolana.

O que é que gostaria de ser?

Aquilo que sou.

Em que país gostaria de viver?

Vários.

A cor preferida?

Azul.

A flor de que gosta?

Túlipas.

O pássaro que prefere?

Bico-de-lacre.

O autor preferido em prosa?

Se é só um, Luandino Vieira.

Poetas preferidos?

Ruy Duarte de Carvalho, António Ramos Rosa, João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Corsino Fortes, Patraquim, Neruda, Machado, W. H. Auden e muitos, muitos outros. O meu gosto poético é bastante eclético.

O seu herói da ficção?

João Vêncio.

Heroínas favoritas na ficção?

Madame Bovary.

Os heróis da vida real?

Mandume, Zumbi dos Palmares, o meu pai, Aníbal de Melo, o meu irmão, Kiluxa, Lumumba, Martin Luther King, Julius Nyerere, Nelson Mandela.

As heroínas históricas?

Deolinda Rodrigues. Todas as mulheres queimadas nas fogueiras como bruxas, incluindo as "feiticeiras da Jamba".

Os pintores preferidos?

Picasso, Salvador Dali, Diego Rivera, Frida Kahlo, Tarsísia do Amaral, Viteix, António Ole.

Compositores preferidos?

Liceu Vieira Dias, Tom Jobim, Fausto, Wynton Marsalis, Salif Keita. Não indico nenhum compositor de música clássica pois não tenho conhecimentos suficientes para o fazer.

Os seus nomes preferidos?

Não tenho. Só nomes "despreferidos", como Hitler, Estaline, Salazar ou Nito Alves, por motivos óbvios, e Silva (que carrego no nome), por razões estéticas.

O que detesta acima de tudo?

A boçalidade.

A personagem histórica que mais despreza?

Os colonialistas, os escravocratas, os ditadores, os fascistas e os racistas de todas as cores. Não cito nenhum, pois eles surgem em todo o lado e quando menos se espera.

O feito militar que mais admira?

A Batalha de Kifangondo, que permitiu a proclamação da independência de An- gola, em Luanda, no dia 11 de novembro de 1975.

O dom da natureza que gostaria de ter?

A capacidade de renovação das águas.

Como gostaria de morrer?

Em paz e sem dor. Depois dos 90 anos de idade.

Estado de espírito atual?

Deprimido, mas otimista. Ingénuo?

Os erros que lhe inspiram maior indulgência?

Burrice. Detesto, mas tento perdoar, pois não é um erro de caráter.

A sua divisa?

Não é minha, é do índio Juruna (brasileiro): "Eles que são brancos que se entendam!". Isto é, procuro preocupar-me apenas com aquilo que me diz respeito.

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