Preço das casas subiu 4,5 vezes mais do que os salários na última década

No ano passado, comprar casa ficou mais caro com uma variação média anual de 15% face a 2018, desacelerando pela primeira vez nos últimos cinco anos.

Na última década, os preços das casas em Portugal subiram, em média, quatro vezes e meia mais do que o ganho médio dos trabalhadores por conta de outrem.

De acordo com os dados divulgados na segunda-feira pela consultora Confidencial Imobiliário, no final do ano os preços das casas em Portugal estava 46% acima dos níveis registados no arranque da década, em 2010. O DN/Dinheiro Vivo fez os cálculos da evolução dos salários dos trabalhadores por conta de outrem: no mesmo período, subiram pouco mais de 10%.

O exercício permite perceber a evolução do poder de compra imobiliário da população empregada tendo em conta o custo, cada vez mais oneroso para adquirir uma casa, sobretudo a partir do fim da crise financeira, com a explosão do turismo.

O ganho médio bruto de um trabalhador por conta de outrem, no final de abril do ano passado (os últimos dados disponíveis), era de 1188,1 euros; em 2010, o ganho médio era de 1036,4 euros. Em termos nominais são mais 157 euros em dez anos, correspondendo a uma variação de 10,4%. O preço das casas registou uma variação de 46%, de acordo com a Confidencial Imobiliário.

O ganho médio inclui, "para além da remuneração de base, todos os prémios e subsídios regulares (diuturnidades, subsídios de função, de alimentação, de alojamento, de transporte, de antiguidade, de produtividade, de assiduidade, de turno, de isenção de horário, por trabalhos penosos, perigosos e sujos, etc.), bem como o pagamento por horas suplementares ou extraordinárias", refere o Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho Solidariedade e Segurança Social (GEP/MTSS).

2018, o ano do pico

Todos os indicadores começam a apontar para a desaceleração dos preços das casas, sobretudo nas grandes cidades. "É expectável que em 2020 o mercado nacional comece a refletir a tendência já sentida em Lisboa, e que os preços acabem por estabilizar em ritmos mais normalizados", referiu o diretor da Ci, Ricardo Guimarães.

A variação média registada em 2019, já sinaliza este abrandamento. No ano passado, o preço das casas subiu 14,9%, muito próximo, mas abaixo dos 15,4% registados em 2018, o ano em que se verificou o maior crescimento da década.

A consultora sublinha que o crescimento acumulado de 46% na década "absorve já as perdas de 14% que se observaram entre 2010 e 2013", sendo este último o ano em que os preços das casas no país atingiram o seu ponto mais baixo.

O ano da maior queda nos preços foi em 2012 com uma variação média homóloga de -6,1%. Foram os anos da crise financeira com o resgate da troika em curso.

Mas se os preços das casas começam a arrefecer, as subidas salariais também estão a marcar passo. O governo sugeriu aumentos de 2,7% aos empregadores privados, no âmbito do acordo sobre competitividade e rendimentos, com o objetivo de segurar quadros e a mão-de-obra especializada, mas as grandes empresas, como por exemplo a EDP e a Brisa, estão a amarrar as suas propostas de atualização ao referencial avançado para a função pública, a rondar os 0,3%, como denunciou Carlos Silva, o secretário-geral da UGT, em entrevista ao DN/Dinheiro Vivo.

Jornalista do Dinheiro Vivo

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG