Premium Reutilize, ofereça, recicle. Um regresso às aulas mais ecológico

Roupa, mochila, livros, cadernos, estojo, canetas, lápis, régua, borracha... No regresso às aulas, a lista costuma ser longa e, por vezes, pouco amiga do ambiente. Para que o início de ano seja mais sustentável, a Sociedade Ponto Verde dá alguns conselhos aos portugueses.

Cinco filhos, quatro em idade escolar: Isabel, 7 anos, João, 10, António, 13, e Maria, 14. À primeira vista, o regresso à escola podia ser uma verdadeira dor de cabeça para a mãe, Isabel Rebelo. Mas, curiosamente, não é. "Acho que se ganha resistência. Não stresso muito com essas coisas", diz. Ao DN, a arquiteta paisagista revela alguns segredos para um início de ano tranquilo: aproveitar o material do ano anterior, comprar em segunda mão e fazer uma lista de compras.

No final do ano letivo, Isabel lava as mochilas e os estojos, para avaliar o que pode ser usado no ano seguinte. "Usam as mochilas até se estragarem. Só se compra uma nova quando a antiga vai para o lixo. E o mesmo acontece com os estojos." Não compram material dos super-heróis, por exemplo. "Escolhemos mochilas boas, a preços reduzidos, para que possam durar muitos anos. Procuramos mochilas em segunda mão, mas como novas, no OLX."

Na escola dos filhos, em Lisboa, é dada uma lista dos livros e do material necessário logo no mês de maio. Sempre que há essa possibilidade, os livros passam dos filhos mais velhos para os mais novos, e tentam aproveitar o que não foi totalmente utilizado do ano anterior, como as canetas e os lápis. "De resto, vi o que precisava, fomos a uma grande superfície e conseguimos fazer as compras com 15% de desconto." Há a preocupação de comprar material bom, porque, ressalva, dura mais tempo.

Numa casa com sete pessoas, todos se habituaram a ter "só o essencial", sem excessos. Contudo, esta não é a regra em muitas famílias portuguesas, sobretudo quando o tema é "o regresso às aulas", como explica ao DN Teresa Cortes, gestora da área de Marketing e Comunicação da Sociedade Ponto Verde (SPV). "Acreditamos que isso é reflexo da sociedade de consumo em que vivemos, que tem potenciado o consumo de material escolar, roupa, tal como de outros produtos e acessórios."

Na génese do problema até está um bom princípio: "Permitir que os filhos tenham material para ter um bom desempenho escolar. Os pais querem dar o bom e o melhor aos filhos, mas, por vezes, incorrem em excessos nas compras. Nem tudo é necessário, nem tudo acaba por ser usado." Por um lado, esses excessos resultam em "gastos acrescidos e desnecessários para as famílias" e, por outro, "aumentam a produção de resíduos". Teresa Cortes lembra que "há material que não é usado, que fica encostado e, um dia, acaba no lixo", nem sempre no ecoponto adequado. Há, assim, um impacto económico e ambiental importante.

Numa altura em que milhares de crianças e adolescentes se preparam para regressar à escola, a SPV "apela a um consumo e a uma gestão responsáveis do que se consome e não se reutiliza". Até porque isso vai fazer que "as crianças cresçam com a noção de que devem ter um consumo que vá ao encontro das suas necessidades essenciais".

Aproveite e reutilize

Se o seu filho está cansado da mochila do ano passado, pode dar-lhe uma nova vida. "Desde aplicar rendas, tachas, botões ou mesmo pompons, as hipóteses são infinitas. Os projetos de DIY [do it yourself] em família não têm de parar por aqui, podendo estender-se aos cadernos do ano passado, personalizando-os com colagens de restos de tecidos que tenha em casa", propõe a SPV.

Há materiais que não são totalmente utilizados de um ano para o outro, portanto tente perceber o que pode ser reaproveitado, como cadernos e canetas. "Aproveite esta altura para explicar ao seu filho a importância de reaproveitar materiais e o contributo para proteger o ambiente."

Ofereça o que não precisa

Desde sempre que os filhos de Isabel Rebelo se habituaram a oferecer a roupa que já não utilizam. "Toda a vida o fizemos. Tenho três sacos de roupa prontos para levar para uma amiga. Fazíamos o mesmo com os carrinhos de bebé e outros objetos. Nunca colocámos nada ao lado do caixote do lixo", conta a arquiteta, acrescentando que os filhos já tomam a iniciativa de separar o que não usam, mesmo quando não os alerta para isso.

Oferecer os materiais que já não são usados é outra das sugestões da SPV. Tal como as listas de compras e a procura de materiais em segunda mão. Além disso, aconselha os pais a escolherem "opções mais sustentáveis, que não são necessariamente mais caras, como esferográficas, cadernos, réguas ou tesouras feitas a partir de materiais reciclados".

Já no regresso à rotina escolar, existem várias medidas para reduzir a pegada ecológica, como privilegiar o uso de transportes públicos ou ir a pé ou de bicicleta, consoante a idade e a maturidade da criança. "Se for mesmo necessário levar o seu filho de carro para a escola, crie um sistema de boleia com outros pais", propõe a Sociedade Ponto Verde.

Reciclar as embalagens do lanche, as garrafas de água e o papel usado são outras medidas amigas do ambiente para tomar ao longo de todo o ano. E fica a dica: "Porque não procurar atividades extracurriculares relacionadas com o ambiente, como oficinas de reciclagem ou hortas urbanas? São atividades educativas e muito divertidas, tanto para miúdos como para graúdos."

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