Premium A crise da União Europeia


O tema da relação do Reino Unido com a União Europeia, que nesta data inquieta os responsáveis de ambas as entidades, talvez ganhe em clareza, que possa ajudar a encontrar uma solução apaziguadora, se não forem esquecidos os antecedentes. Talvez seja de recordar ainda que Churchill, numa das sempre notáveis entrevistas e comentários, um dia declarou que uma das maiores dificuldades da sua gestão na guerra de 1939-1945 tinha sido lidar com a Cruz de Lorena.

As reticências do general De Gaulle quanto às relações institucionais do Reino Unido com os projetos europeus, a começar pela defesa, e a sua preocupação não oculta sobre a debilitação da confiança a ter quanto à prioridade da solidariedade do Reino Unido com os EUA em relação aos interesses europeus, deixou marca nas memórias da primeira-ministra Margaret Thatcher, no ponto em que sublinha a importância da manutenção da solidariedade e da autoridade internacional anglo-saxónica, assente na relação consolidada do Reino Unido com os EUA.

Todavia, por outro lado, moderada a recordação de conflitos históricos, as guerras de 1914-1918 e de 1939-1945 não teriam provavelmente levado ao resultado final sem a intervenção e o sacrifício da Inglaterra, cujos cemitérios de jovens soldados seus determinam a vinda da rainha aos antigos campos de batalha para as cerimónias de homenagem que fortalecem a memória nacional e europeia. Também não permitem esquecer que o Brexit se traduz na retirada da maior esquadra e do maior exército da União, que são britânicos, na data em que os gestores da União declaram a necessidade e a urgência de organizar a sua segurança militar, uma situação em que a ambiguidade americana quanto à NATO também não pode deixar de entrar na análise e na avaliação da situação.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

"Corta!", dizem os Diáconos Remédios da vida

É muito irónico Plácido Domingo já não cantar a 6 de setembro na Ópera de São Francisco. Nove mulheres, todas adultas, todas livres, acusaram-no agora de assédios antigos, quando já elas eram todas maiores e livres. Não houve nenhuma acusação, nem judicial nem policial, só uma afirmação em tom de denúncia. O tenor lançou-lhes o seu maior charme, a voz, acrescida de ter acontecido quando ele era mais magro e ter menos cãs na barba - só isso, e que já é muito (e digo de longe, ouvido e visto da plateia) -, lançou, foi aceite por umas senhoras, recusado por outras, mas agora com todas a revelar ter havido em cada caso uma pressão por parte dele. O âmago do assunto é no fundo uma das constantes, a maior delas, daquilo que as óperas falam: o amor (em todas as suas vertentes).

Premium

Crónica de Televisão

Os índices dos níveis da cadência da normalidade

À medida que o primeiro dia da crise energética se aproximava, várias dúvidas assaltavam o espírito de todos os portugueses. Os canais de notícias continuariam a ter meios para fazer directos em estações de serviço semidesertas? Os circuitos de distribuição de vox pop seriam afectados? A língua portuguesa resistiria ao ataque concertado de dezenas de repórteres exaustos - a misturar metáforas, mutilar lugares-comuns ou a começar cada frase com a palavra "efectivamente"?

Premium

Margarida Balseiro Lopes

O voluntariado

A voracidade das transformações que as sociedades têm sofrido nos últimos anos exigiu ao legislador que as fosse acompanhando por via de várias alterações profundas à respetiva legislação. Mas há áreas e matérias em que o legislador não o fez e o respetivo enquadramento legal está manifestamente desfasado da realidade atual. Uma dessas áreas é a do voluntariado. A lei publicada em 1998 é a mesma ao longo destes 20 anos, estando assim obsoleta perante a realidade atual.