Marco Paulo: "Podia ter casado e podia não ter sido tão feliz como fui"

Entrevista de vida

Marco Paulo: "Podia ter casado e podia não ter sido tão feliz como fui"

Aos 74 anos, Marco Paulo admite estar a pensar como vai terminar a carreira. Ainda não tem data, mas já lá vão mais de 53 anos a cantar ao coração dos portugueses. Por enquanto está focado na promoção do seu novo disco e no concerto no Coliseu de Lisboa, a 12 de outubro.

O que guarda do Alentejo da sua infância?
O Alentejo é uma paixão que deixei muito novo. Mas sempre que me é possível regresso aos braços onde nasci.

Ainda sente uma ligação tendo em conta que saiu de lá muito novo?
Sim. Saí de Mourão com 5 anos. Como era muito pequenito não dava muita atenção a isso. Mas hoje, adulto, consigo aproximar-me dos sítios que frequentava com 4, 5 anos e sempre que regresso sinto-me em casa. Grato por ter nascido no Alentejo. Embora diga sempre que sou português em primeiro lugar e depois alentejano porque nasci lá. Tenho a honra e o privilégio de pertencer àquele povo e àquela gente.

Já cantava no Alentejo?
Não. Em Mourão, não. Só comecei a cantarolar - agora é que canto - com 7, 8 anos. Comecei a ouvir as coisas na rádio porque não havia televisão, e foi aí que comecei a cantarolar músicas que conhecia.

Cantarolava por distração?
Não, cantarolava porque as pessoas achavam graça e eu gostava.

Tinha noção de ter uma boa voz?
Sim, tinha noção de que as pessoas gostavam de me ouvir cantar, mas não tinha noção de que poderia chegar aqui. 50 anos depois nunca sonhei chegar aqui nem ter tido as oportunidades que tive. Julgo que fiz tudo - e continuo a fazer - aquilo que em qualquer parte do mundo um cantor pode fazer, consoante o país onde vive e de onde é. Se vivesse na América possivelmente teria outra maneira de construir a minha carreira. De maneira que fiz tudo sempre sem noção das coisas. Não tinha noção de nada. Só comecei a ter noção quando ia para a minha fábrica, tinha a oportunidade de ficar sozinho, cantarolava e aquela gente toda ficava com atenção para mim. Foi aí que comecei a aperceber-me de que havia qualquer coisa que chamava a atenção das pessoas.

Que idade tinha nessa altura?
Comecei a trabalhar muito cedo, aos 14 anos, numa farmácia, depois num escritório e terminei noutro escritório [o da fábrica]. Esses foram os meus trabalhos extramúsica. Foi em Alenquer e no Barreiro. Vivi 12 anos em Alenquer e 25 no Barreiro. Em Alenquer trabalhei na farmácia e no escritório de uma loja que hoje se chamaria pronto-a-vestir, que era a mesma coisa do que entrar mudo e sair calado - eu não percebia nada daquilo. A mesma coisa na farmácia: nunca gostei de sangue [risos], se me aparecesse uma pessoa com uma mão cortada eu desmaiava.

Era uma imposição dos tempos trabalhar tão novo?
Era. Os nossos pais nessa altura achavam que os filhos deviam estudar até uma certa altura. Depois que arranjassem um ofício para poderem, um dia mais tarde, constituir família e ter o seu trabalho. Para ganhar dinheiro para o dia-a-dia da sua vida. A minha família também era assim: estudávamos até uma certa altura e depois tínhamos de ir trabalhar. Éramos três rapazes e uma rapariga e tínhamos de fazer aquilo que era da época.

E o Marco foi trabalhar...
Era muito mau aluno. Mas achava que aqueles trabalhos não tinham que ver comigo. Por exemplo, um dos meus irmãos foi para mecânico, outro para uma fábrica de máquinas, mas eu achava que não era isso que ia ser a minha vida. Ali, seria possivelmente alguém que estava deslocado do seu ambiente.

Os seus irmãos incentivavam-no?
Nunca falámos no assunto. Eles iam ver por graça, porque nesse tempo não era profissional. Só passei a profissional quando gravei o primeiro disco e me deram a carteira profissional. Mas eles achavam graça porque em qualquer lado que estivesse eu cantava - coisa que não faço hoje. Só consigo cantar ou num estúdio, a gravar um disco, ou num palco ou numa televisão. Mas fazia isso porque achava que as pessoas gostavam e também era uma maneira de me divertir. O que sou hoje não aprendi, foi tudo muito natural, parece que as coisas eram mais naturais naquela altura em que era jovem. As coisas iam aparecendo pouco a pouco na altura própria.

Hoje é mais difícil chegar aos 50 anos de carreira?
Não sei. Eu cheguei cá e já tenho felizmente obra. Um dia que termine a minha carreira, ou que infelizmente já cá não esteja, já deixei um legado da minha voz, das minhas músicas e letras que fazem parte da vida das pessoas. Canto há 50 anos, comecei a gravar músicas quando não havia tanta gente a cantar nem tantas televisões. Portanto, a facilidade de promover um trabalho, embora houvesse só um canal, era muito mais fácil porque íamos só a um canal e toda a gente via. Hoje não, tenho de ir a não sei quantos programas para promover um disco. Portanto, as coisas são diferentes. Por um lado, é melhor, por outro, não. Quando comecei só havia a RTP, e bastava ir lá uma vez ou duas e já todo o país sabia que tinha uma canção ou um disco novo. Havia mais facilidade de as pessoas adquirirem os discos, por exemplo, num mês vendia 40, 50, 80 mil cópias de um disco. Eram os singles, os LP, as cassetes, os CD os DVD. Acompanhei toda essa evolução. Havia pessoas que compravam discos só pela capa, nem sequer sabiam o que estava lá dentro. Outras compravam imensos discos meus sem terem gira-discos em casa [risos]. Mas se for aquela parede (local na sala onde estão expostos todos os prémios da carreira, ver fotografia na última página) há de ver prémios que eram de 80 mil, 120 mil cópias. Ao longo de 50 anos, a contabilidade é de quatro milhões a cinco milhões de discos que vendi. Só de um trabalho foi um milhão de discos. Penso que na história da música em Portugal isso nunca aconteceu. Qual foi o disco? Já não me lembro, mas é de 1991 [é o Maravilhoso Coração]. Coisas como esta não estavam no meu horizonte. Não tinha noção deste fenómeno de venda de discos. Sabia que ia cantar. Depois fui contratado para ir para o Brasil durante um mês: São Paulo, Rio de Janeiro, Maracanãzinho, televisões, Globo, e tive de levar uma banda comigo e a partir daí nunca mais deixei. Já há uns 20 anos. Hoje as coisas são tão profissionais que às vezes até me esqueço da simplicidade que era há muitos anos os concertos e os espetáculos. O convívio com as pessoas era mais autêntico. Agora é tudo melhor, mas é tudo muito profissional.

Cria uma barreira com o público?
Um bocadinho. Por exemplo, o Campo Pequeno - que é a sala que faço mais nos concertos grandes -, mas é nos concertos que faço nas terras, no verão, que tenho oportunidade de contactar mais com as pessoas, porque eu gosto das pessoas. Gosto de gostar das pessoas. Nos concertos grandes, às vezes, estou duas ou três horas no final a tirar fotografias e a dar autógrafos, mas é tudo muito à pressa porque as pessoas são de longe ou já são horas tardias. Mas tudo isso fez parte da evolução da minha carreira.

Já falou disto. O seu pai opunha-se à sua carreira na música. Teve receio de que ele o inibisse?
Qualquer pai tem receio no início de carreira de um filho. O meu pai era um homem que tinha a quarta classe, mas era inteligentíssimo. Eu tinha uma relação muito grande com a minha mãe. Ela comigo e eu com ela. Sabe que aqueles nove meses que andamos na barriga de uma mãe dá-nos tempo para nos aconchegarmos e, quando ela nos põe no mundo, esse elo de ligação nunca se perde.

O seu pai foi aceitando a sua carreira?
Não, o meu pai nunca pensou que fizesse uma carreira de 50 anos. Porque ele achava que isto era um hobby que as pessoas estavam a aplaudir muito e um ano ou dois depois esqueciam-se, que era tudo muito passageiro. O que hoje gostavam, amanhã já não gostavam. Por isso é que gostava que ele tivesse estado presente quando comemorei os 50 anos. Acho que eles iam ficar muito orgulhosos.

"Não tinha de provar nada ao meu pai porque isso seria entrar em despique com ele"

Quando o seu pai achava que não era possível fazer uma carreira longa, o Marco pensava que ainda lhe ia provar o contrário?
Não tinha de provar nada ao meu pai porque isso seria entrar em despique com ele. "Você não queria e afinal eu consegui." Podia não ter acontecido e o meu pai não ia confrontar-me : "Vês?" Felizmente tive o apoio dos portugueses e das editoras com que trabalhei. O público merece o melhor que todos nós possamos fazer. Um dia, quando morrer, fica tudo aquilo que tive oportunidade de fazer: gravar, concertos, apresentar televisão (gostei muito de ter feito dois anos na RTP). Ficam também as saudades das pessoas que me receberam sempre bem nas televisões e nas rádios.

Gosta de fazer dos seus concertos momentos mais solenes?
É um momento de aproximação entre mim e os sentimentos das pessoas porque sou um homem de criar emoções.

Acontece-lhe ter admiradores entre os cantores da nova geração?
Sim, por exemplo a Raquel [Tavares] ficou deslumbrada por eu a ter convidado para cantar uma música no disco novo. Sou muito mais velho do que a Raquel. Ela dizia que quando era miúda as músicas que ouvia lá em casa - e isso é transversal a quase a todas as idades - eram do Marco Paulo, porque não havia muitos artistas nessa altura. As pessoas aproximavam-se muito. Até por ter caracóis... lembro-me de que não podia sair à rua porque as pessoas pensavam que tinha peruca.

E como apareceram os caracóis?
Foram uma imagem de marca sem me aperceber. Não tinha noção do que era isso, que as pessoas falavam umas com as outras. Umas diziam que eu ia ao cabeleireiro, outras que podia ser uma cabeleira, inventavam tudo e mais alguma coisa, mas todas queriam fazer caracóis como o Marco Paulo. Raparigas, rapazes...

E como é que surgiu esse look?
Não sei como aconteceu. Sei que estava em Gaia e tinha-me esquecido de que tinha que ir fazer um trabalho ao Porto. De um momento para o outro, estava descontraído em casa, como estou agora, e recebo uma chamada a perguntar se eu não tinha combinado estar em tal sítio. Tomei um duche, abanei a cabeça, o cabelo ficou molhado, vesti-me, vim para a rua. Quando cheguei à noite o cabelo estava encaracolado. Nunca sequei o meu cabelo com secadores. A partir daí já não me pude desfazer do penteado. Há 20 anos, quando tive o cancro, o cabelo caiu-me todo e depois voltou assim. Não sou careca e tenho o cabelo bonito na mesma. Mas tenho a impressão de que agora não gostava de ver os caracóis. Aquilo aconteceu por uma fatalidade, mas por um lado...

Teve uma desculpa junto das fãs para acabar com os caracóis...
... pois, até certo ponto, aquilo era uma distração para elas, que no fim dos concertos vinham agarrar-me e puxar-me o cabelo. Às vezes no meio da confusão lá vinha a mãozinha de uma menina para ver se era uma peruca. Quando o cabelo voltou a nascer veio assim liso, o cabelo que tenho hoje. Se tenho saudades? Não, porque gosto de me ver assim.

Qual é o ritual para entrar em palco?
Quando chego a um concerto, estou normal, mas no dia do concerto já não falo, não comia, muito sério. As pessoas falam e não ouço nada, o meu foco é o concerto que tenho de fazer. Seja numa sala ou numa festa de verão. O ritual de estar concentrado, preparar-me, vestir-me, tudo isso faz que interiorize que vou fazer outra coisa que não é o normal.

Ao fim de 50 anos, entrar em palco ainda não é normal?
É sagrado. É um momento sagrado. Porque o palco é uma coisa especial.

O que sente em cima do palco?
Sou o homem mais feliz do mundo. É aí que me encontro, não é aqui em casa. Porque aqui... [faz o gesto de não há nada de especial].

Teve essa dedicação toda ao palco. Sente que perdeu alguma coisa na sua vida pessoal. Uma família, por exemplo.
Não, porque tenho uma família muito grande. Tenho a família de sangue, os mais próximos são os meus irmãos - tenho dois ainda - e tenho uma família muito grande, que se preocupa comigo quando estou mal, que fica muito feliz quando sabe que estou bem. As minhas fãs preocupam-se tanto como eu.

E depois tem também o Marco António (apareceu durante a entrevista na sala, cumprimentou os presentes e voltou a sair), que é uma espécie de filho.
Sim. Agora já é um homem, mas acompanhei tudo. Para ele padrinho era Pi, portanto veja bem ao que eu assisti. Só não sou o pai biológico.

E não tem pena de não ter sido pai biológico?
Não aconteceu na altura própria e hoje não sinto isso.

Isso foi porque viveu mais dedicado à carreira?
Vivi enclausurado. Mas vivi a vida sempre com a preocupação da minha carreira. Sempre. Podia ter casado, podia ter constituído essa família e podia, possivelmente, não ter sido um homem tão feliz como fui.

Acabou por fazer as escolhas em nome da sua felicidade na altura.
Claro, naquela altura tinha tantas oportunidades para isso acontecer, tantas.

"Vivi enclausurado, não? Mas vivi a vida sempre com a preocupação da minha carreira"

Sim, era um sex symbol. Todos os dias devia ter namoradas novas.
Fui muito popular, muito conhecido e, depois, era tudo capas de revistas minhas. Fui o cantor português homem que mais capas de revistas cor-de-rosa fez em Portugal. Foi a época. Tive a sorte também, desde muito criança, de ser o que sobressaía porque era louro, sardento, de sorriso fácil. E como cantava era um homem que as mulheres achavam muito bonito.

Mas era muito namoradeiro?
Não. Julgo que tive duas ou três namoradas. Tive aqueles namoricos que na adolescência se arranja. Como entrei muito cedo nisto, isto era um mundo muito diferente, a que ninguém tinha acesso.

Ia a muitas festas do jet-set?
Nunca fui de ir a essas festas. Nunca me senti bem, nunca critiquei nem critico quem gosta e se sente bem. Mas sentia-me sempre deslocado. O meu espaço era aprender músicas, gravá-las, cantá-las, tudo isso. Lembro-me de ter ido a uma eleição da Miss Portugal no Casino Estoril, estava lá todo o jet-set da época, e fui recebido como são hoje os grandes nomes. Pensava que esse género de pessoas não gostava muito de mim e fiquei surpreendido porque fui recebido com toda a honra.

Outra distinção que faz é entre ser cantor e ser músico. Tem pena de não ter essa vocação de músico?
Cada pessoa nasce com o seu talento. Já sou feliz por Deus me ter dado a minha voz e que as pessoas tivessem gostado, porque a minha carreira não foi feita só por mim, foram as pessoas que fizeram a minha carreira. Portanto, nasci com esse dom de voz. Posso cantar tudo aquilo que quiser: música ligeira, romântica, alegre, fado - que já gravei -, ópera. Tenho um estilo, mas posso cantar tudo. Posso tocar? Não. Posso escrever músicas? Não.

Tem pena?
Ah, tenho, tenho. Gostava de ser o autor das minhas músicas e das letras das músicas que canto.

Tentou e não conseguiu?
Já tentei e não consegui. Música, não, porque tinha de aprender música. Viola, guitarra eu não sei tocar.

Tem medo de que a voz lhe falhe?
Agora quando gravei o último disco guardei só para mim essa minha preocupação. Estava desejando ouvir o final para ver se havia alguma diferença na minha voz. Mas está lá toda, melhor ainda, porque hoje tenho muito mais experiência, a voz está muito mais trabalhada, os anos, por um lado, ajudam, por outro, não. Mas isso tem que ver como a gente a trata. Não fumo, não sou de noitadas, de muito álcool, só bebo vinho tinto à refeição, tento dormir as horas que a minha voz merece de descanso, porque é o meu instrumento de trabalho. Se voltar a gravar mais algum disco, tenho a certeza de que a minha voz vai lá estar toda. Porque só o farei se sentir que não houve nenhuma alteração.

Já chegou a temer não ter voz para continuar?
Houve alturas em que pensei que já não voltava a cantar. Cada vez que estava doente, pensava sempre "bem já não vou voltar a cantar".

Essa perspetiva era mais assustadora do que a própria hipótese de morrer?
Tenho muito medo da morte. Medo, quer dizer, depois de estar morto uma pessoa nem dá por isso. Mas tenho muito respeito pela morte. Mas, por outro lado, nessas alturas mais complicadas da minha vida preocupava-me mais com a minha voz do que com a morte [risos].

"Às vezes, estou sozinho e penso: "Meu Deus, como é que um dia me vou despedir?""

Sente que pode estar mais próximo do final da sua carreira?
Estou a aproveitar o que não aproveitei durante anos. Não sabia o que era férias. Tive muitos anos, muito, muito intensos. E hoje estou a conseguir conjugar um concerto por semana, em salas grandes que me dão muito prazer fazer. No dia 12 de outubro vou estar no Coliseu e vou preparar-me o melhor que posso para esse reencontro com as pessoas. Sou incapaz de virar as costas a um público que me foi tão fiel. Às vezes, estou sozinho e penso: "Meu Deus, como é que um dia me vou despedir?"

Tem uma ideia?
Tenho andado a pensar como é que vou, um dia, despedir-me de uma coisa que amei. Não sei, não sei. 50 anos depois, nos quais dei tanto de mim, como é que vou despedir-me das pessoas que gostaram e gostam de mim? Pessoas para quem o meu sorriso foi um conforto, a minha voz foi uma maneira de se sentirem bem. Como? Para mim vai ser como uma escuridão, quando um dia deixar [de atuar]. Se tiver vida e saúde para viver mais uns anos. Mas também tenho de ter noção das coisas.

Quer sair enquanto ainda estiver bem?
Sim. Não quer dizer que seja neste ano ou no seguinte. Se nem sequer férias tirei porque não era capaz de virar as costas. Só não cantei quando estive doente. Penso como é que vou fazer [para me despedir]? Vou arranjar um concerto especial em que eu possa ter essa oportunidade? Não sei, tenho de pensar nisso.

Ainda tem tempo.
Não, não. Não tenho mais 50 anos para poder despedir-me. Temos de ter noção das coisas. Tenho de pensar com tempo como é que vou dar esta notícia. Quero também saber como é que vou ter coragem.

Que conselho daria a si próprio há 50 anos?
Talvez aproveitar mais o que não aproveitei. Hoje, quando vou fazer um concerto fora, tento envolver-me mais no que me rodeia. Antes, mal chegava a uma terra ou a um país já estava a viver aquilo, já não comia, envolvido como é que era o palco, o som, as luzes, a adesão do público. Aproveitava pouco. Era chegar ao aeroporto, hotel, concerto, hotel, aeroporto. Agora é tudo mais calmo. Vivi uma vida muito stressada. Não estou arrependido, fiz o que devia ter feito, voltava a fazer tudo o que fiz. Simplesmente não aproveitei países maravilhosos em que fui cantar. Mas fiz tudo na minha longa carreira, cantei com orquestras, grandes artistas, gravei aquilo que achava que devia gravar na altura própria. Se gravasse hoje Os Dois Amores provavelmente não tinha o sucesso que teve. Costumo dizer que já não volto a fazer 50 anos de vida ou de carreira, por isso tudo o que vier a partir de agora será bem-vindo.

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