Premium Em Odivelas, as escolas já não têm períodos. Ministério admite alargar medida

Cerca de 20 mil alunos do concelho de Odivelas têm o ano letivo dividido em semestres e ainda estão em aulas, quando os colegas do resto do país já estão de férias. Professores e estudantes fazem balanço positivo do projeto

Encostadas à ombreira da porta, duas alunas esperam a chegada do professor enquanto observam os colegas que com mil cuidados trazem uma maquete de uma fábrica que, com o seu fumo feito de algodão enegrecido, contribui para a chuva ácida, o tema da exposição do 8.º ano. Juntamente com dois enormes aquários, é ela que dá as boas-vindas a quem sobe para a sala dos professores. Lá fora, vozearia, encontrões, risos de centenas de adolescentes que aproveitam as enormes coberturas que dão acesso aos blocos de aulas para se abrigarem da chuva. Enquanto milhares de alunos de todo o país já estão a gozar as férias da Páscoa, os estudantes da Secundária da Ramada, tal como os outros cerca de 20 mil colegas de Odivelas, ainda vão ter aulas até final da semana. Fazem parte de um projeto-piloto que trocou a habitual divisão do ano em três períodos por dois semestres. E, sete meses depois, os elogios à ideia repetem-se em todas as bocas e o Ministério da Educação admite que, se correr bem, pode ser alargada.

"Eu dou aulas há 40 anos e nunca me tinha acontecido chegar a esta altura do ano com toda a matéria do 11.º dada. Neste ano consegui dar tudo e já estou a fazer revisões para o exame. Mesmo depois de ter faltado pelo meio!" De sorriso franco, Ana Maria Gomes é a imagem do contentamento. Primeiro porque, apesar de já ter 60 anos, diz que continua a ser muito feliz por ser professora de Biologia - "não penso em reformar-me, adoro dar aulas" -, e depois porque sente que o ambiente nas aulas ficou mais leve neste ano. "Há menos pressão, os alunos estão mais disponíveis para aprender e a verdade é que, sem dar por isso, já tenho a matéria toda dada."

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

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