Premium PRD. Um caso de exceção

Quando foi pela primeira vez a eleições, em 1985, o Partido Renovador Democrático elegeu 45 deputados e conseguiu mais de um milhão de votos.

O contexto político e social era outro, Portugal tinha saído há cerca de uma década da ditadura e estava sob intervenção do FMI, e a criação do PRD acabaria por ser um caso sério na cena parlamentar. Tendo como mentor o Presidente da República Ramalho Eanes - que viria a liderá-lo a seguir a Hermínio Martinho -, o Partido Renovador Democrático surgiu em 1985 contra a política de austeridade do governo de Bloco Central PS-PSD (1983-1985) liderado por Mário Soares e Mota Pinto.

Com a queda do executivo do Bloco Central, o Partido Renovador Democrático conseguiu eleger 45 deputados (mais de um milhão de votos) e em 1987 apresentou uma moção de censura que levou à queda do governo de minoria de Cavaco Silva. A estratégia não resultou e o PRD ficou apenas com sete deputados ao mesmo tempo que Cavaco alcançou a primeira de duas maiorias absolutas.

O PRD acabaria por dar lugar ao PNR, organização política de extrema-direita, que nada tem que ver com o partido criado por Ramalho Eanes e Hermínio Martinho.

Aproveitando-se do facto de o PRD estar em falência e porque não conseguiam reunir as então 5000 assinaturas para criar uma formação, elementos do PNR inflitraram-se no partido, pagaram as dívidas e depois mudaram-lhe o nome para Partido Nacional Renovador.

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Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

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Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

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