Premium O pragmatismo internacional

As potências europeias, incluindo as que tiveram no seu domínio parte do império euromundista e a que as consequências da Guerra de 1939-1945 puseram um ponto final, todas adotaram, com variantes pequenas, a forma de governo democrático. E também, com uma neutralidade não discutida, os modelos do direito internacional e de diplomacia que tinham séculos de criação e aperfeiçoamento, infelizmente sem omitir formas seculares da prática maquiavélica, que mantém uma presença visível, a qual por vezes desperta a competência das discretas mas respeitadas jurisdições supranacionais. Todavia, a suposição de que o globalismo iria reger-se por essas tradições e práticas normativas, tornando a ilegalidade internacional excecional, não foi confirmada pelos factos, estes amparados frequentemente em governações que tinham por apoio a própria tradição cultural e política da sua área agora libertada da tutela colonial.

De regra, os regimes democráticos dos antigos soberanos ocidentais não foram o modelo que deixaram como legado nesse terceiro mundo. Aquilo que deixaram foi a tradição de regimes extrativos, o poder que os movimentos libertadores quiseram capturar e adotar para o exercício, que vai levar tempo para ter a evolução que os ocidentais finalmente tinham alcançado, frequentemente com uma história de violentas revoluções internas, de que a Revolução Francesa ficou como modelo. Todavia, sobretudo no Oriente, há históricas e firmes outras vias, que se afastam de tal percurso, porque embora tenham sofrido ataques e submissões de poderes ocidentais, tal contingência não afetou a sua civilização e cultura milenares em vários casos, no qual se distingue a China.

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