Dragagens. "O Sado é uma maternidade e queremos que desempenhe esse papel"
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Dragagens. "O Sado é uma maternidade e queremos que desempenhe esse papel"

São muitos os argumentos contra as dragagens: desastre ambiental, destruição da fauna e da flora marinha, perigo para os golfinhos, risco para a saúde humana. A obra avança em dezembro.

Carlos Pina está a amanhar o choco que antes apanhou no Sado para fazer um prato de pitéu, "de azeite e vinagre com cebola por cima". Enquanto lava o molusco na torneira, nos armazéns dos pescadores, vai dando a sua opinião sobre as dragagens que em dezembro deverão iniciar-se no rio que banha Setúbal, de forma a permitir a passagem de navios de grande porte. Pescador desde que se lembra, Carlos não está contra as dragagens profundas que, numa segunda fase, deverão ter alargado o canal e aumentado a sua profundidade até 14 metros - o objetivo é permitir que dois navios de grande calado possam passar ao mesmo tempo, um a entrar e outro a sair.

"Sou a favor das dragagens porque o rio tem de ser limpo. Qualquer dia não entramos lá. Ainda aqui há dias uma traineira ficou encalhada. E os golfinhos não se vão embora. Quanto mais lixo tirarem, melhor é. As dragagens não prejudicam ninguém, nem os turistas nem os golfinhos, que também andam na costa."

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