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stress pós-traumático

Guerra Colonial. Os traumas herdados pelos filhos dos ex-combatentes

Passados quase 45 anos sobre o final do conflito com as colónias africanas (1961-1974) ainda há feridas que sangram. A guerra deixou marcas nos ex-combatentes que as passaram para os filhos, vítimas de stress pós-traumático secundário. Histórias de quem não combateu mas herdou outras guerras para travar.

"As piores palavras que ouvi na minha vida foram ditas pela boca do meu pai. Chamou-me de tudo, as coisas mais asquerosas que se possa imaginar." Entre os muitos insultos que o pai lhe dirigiu e as tareias que lhe deu, há uma coisa que Diana não esquece: "Um dia disse-me 'podes sair daqui e dizer que te fiz tudo, só não foste violada'. Disse-me isto na cara."

Diana não esquece, mas perdoa. Perdoou o pai na morte - porque, apesar de ter tanto medo dele que chegava a desmaiar só pela sua presença, e de ter desenvolvido uma infeção no estômago e nos intestinos porque as horas das refeições eram as piores, gostava muito dele. Era o seu pai. O melhor pai do mundo até aos 11 anos, diz. O homem carinhoso que tratava dela e a levava à escola quando a mãe estava a trabalhar. E perdoou-o porque teve coragem de lhe dizer tudo, de bom e de mau. Que ele a maltratava, que era mau, mas também que, ainda assim, o amava.

"Nunca deixei de gostar dele, era o meu pai. E havia certas particularidades que recordo com uma boa sensação. Tentei sempre mudá-lo, tentei falar com ele quando estava sóbrio ou quando não estava, a bem ou a mal, pedi-lhe que mudasse e aproveitasse a vida de outra maneira."

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Ferreira Fernandes

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É muito irónico Plácido Domingo já não cantar a 6 de setembro na Ópera de São Francisco. Nove mulheres, todas adultas, todas livres, acusaram-no agora de assédios antigos, quando já elas eram todas maiores e livres. Não houve nenhuma acusação, nem judicial nem policial, só uma afirmação em tom de denúncia. O tenor lançou-lhes o seu maior charme, a voz, acrescida de ter acontecido quando ele era mais magro e ter menos cãs na barba - só isso, e que já é muito (e digo de longe, ouvido e visto da plateia) -, lançou, foi aceite por umas senhoras, recusado por outras, mas agora com todas a revelar ter havido em cada caso uma pressão por parte dele. O âmago do assunto é no fundo uma das constantes, a maior delas, daquilo que as óperas falam: o amor (em todas as suas vertentes).

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Crónica de Televisão

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À medida que o primeiro dia da crise energética se aproximava, várias dúvidas assaltavam o espírito de todos os portugueses. Os canais de notícias continuariam a ter meios para fazer directos em estações de serviço semidesertas? Os circuitos de distribuição de vox pop seriam afectados? A língua portuguesa resistiria ao ataque concertado de dezenas de repórteres exaustos - a misturar metáforas, mutilar lugares-comuns ou a começar cada frase com a palavra "efectivamente"?