O partido tinha entrado numa espécie de euforia com os resultados da última sondagem que davam o PSD mais próximo do PS nas intenções de voto para as eleições europeias. E agora está preocupado com os efeitos da última semana. Várias fontes sociais-democratas ouvidas pelo DN davam por isso nota de alguma ansiedade para perceber se a crise dos professores provocou mesmo um abanão à direita ou se o governo também é atingido..Os sociais-democratas reconhecem que existiu má gestão política em relação à posição do PSD sobre a reposição do tempo de serviço dos professores, sobretudo na sexta-feira quando foi aprovado na comissão parlamentar de Educação e Ciência essa reposição, com o chumbo das condições impostas pelo partido para as viabilizar. "Deveria ter sido logo dito que o PSD iria avocar (chamar a plenário) as propostas chumbadas e só se elas fossem aprovadas é que daria o voto positivo ao princípio da recuperação total do tempo de serviço dos professores", afirma ao DN uma fonte da bancada parlamentar..E por isso existe neste momento o temor de que o eleitorado não tenha percebido a posição do PSD e valorize mais as críticas feitas pelo primeiro-ministro. Ainda assim, há também entre os sociais-democratas quem tenha a expectativa de que o empolar do assunto e a ameaça de demissão do governo sobre em penalização para o PS. "Pode ser que os portugueses se tenham apercebido de que o primeiro-ministro faz muito teatro para tirar dividendos políticos tão-só.".Negrão confirma "sintonia".O líder parlamentar do PSD confirmou, entretanto ao DN, que todas as decisões tomadas no Parlamento tiveram perfeita articulação entre a direção do PSD e a bancada. "Foi afirmado e reafirmado pelo Dr. Rui Rio a total sintonia de articulação e decisão entre a direção do partido e a do Grupo Parlamentar, o que confirmo!".Essa articulação foi confirmada por Rui Rio em entrevista à TVI na terça-feira à noite. O líder do PSD rejeitou ainda qualquer recuo no sentido de voto do PSD sobre o diploma dos professores - que agora será contra..O líder do PSD assegurou que o partido não declarou que votaria a favor do texto final, atribuindo essa ideia a um equívoco. Na comissão vota-se "artigo a artigo", lembrou, atribuindo em parte a confusão gerada aos "jornalistas parlamentares que desconhecem o processo legislativo". Rio afirmou ainda desconhecer como é que gerou a ideia, no final da reunião da comissão, de que o PSD ia votar a favor do diploma final: "Nem deputado sou. Muito menos daquela comissão.".O "equívoco" talvez tenha partido da deputada com quem Rio se articulou, Margarida Mano que, na sexta-feira, em reação à ameaça de demissão de Costa lembrou as condições financeiras para o reconhecimento do tempo integral da carreira congelada dos professores apresentada pelo PSD que foram chumbadas pela esquerda. Mas sublinhou: "Não há motivo para não votar um texto que traduza os nossos princípios. Vamos reforçar a importância da seriedade financeira, isto é, das despesas com pessoal.".Mas, só no domingo, Rui Rio veio dizer publicamente que para votar favoravelmente o diploma aprovado na comissão parlamentar de Educação e Ciência o PSD queria ver aprovadas as condições financeiras que tinham sido chumbadas.