Exclusivo "A Polónia é a minha terra, o Brasil a minha pátria e Portugal a minha casa"

Mais do que uma vida que lhe trouxe o epíteto de "pai do turismo português", André Jordan, 87 anos, recorda, em entrevista ao DN, a infância, as passagens pelo Brasil, que mantém na voz, a vivência entre intelectuais, artistas e os inúmeros políticos, dos quais destaca Marcelo Rebelo de Sousa. Sabe que está no grupo de risco e as sequelas da covid-19 assustam-no, a morte não.

Andrzej Spitzman Jordan nasceu em 1933 na Polónia. No mesmo ano em que Hitler chegava ao poder na Alemanha. O ditador marcou a sua vida para sempre: fez a sua família sair da Polónia para percorrer meio mundo e vir parar a Portugal. Para recordar inúmeros episódios da sua vida André Jordan acaba de republicar um livro com as suas memórias ao qual acrescentou mais capítulos. São agora mais de 700 páginas com múltiplas histórias de uma vida rica que acompanhou quase sempre na primeira pessoa os grandes acontecimentos das últimas oito décadas do mundo ocidental.

Desde a vivência com importantes intelectuais e políticos à sua passagem apaixonada pelo jornalismo na juventude, ou ainda o encontro com Salazar, André Jordan, responsável por empreendimentos que mudaram o turismo português, falou com o DN também do presente. Dos políticos portugueses e, claro, da pandemia que vivemos.

O que guarda da sua terra natal, Lwów, na Polónia, e que agora faz parte do território da Ucrânia?
Tenho memórias esparsas e algumas não sei exatamente se são minhas ou de histórias que a minha mãe me contava. Numa das visitas dos meus avós maternos a nossa casa, eles moravam em Varsóvia, lembro-me de correr para o meu avô, na altura devia ter uns 5 anos, e perguntar o que me tinha trazido. O meu pai, Henryk Alfred Spitzman, repreendeu-me de imediato, contudo o meu avô disse que enquanto ele lá estivesse não havia castigos. Ainda hoje faço o mesmo com os meus netos, não os castigo [risos]. Também me lembro dos lugares, dos espaços, de onde morávamos em Lwów [ou Lviv], que era em frente a um parque, aliás conseguimos encontrar uma foto do prédio e colocámos no livro.

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