Premium Mulheres espancadas e violadas. Judiciária apreensiva com novos casos

Todos os anos, 400 a 500 mulheres são violadas. Os números deste crime não caem. Agravamento da violência preocupa a Polícia Judiciária.

Na mesma semana, duas violações em que as vítimas foram brutalmente agredidas - uma delas até à morte - fizeram soar os alarmes no quartel-general da Polícia Judiciária (PJ), na Rua Gomes Freire, Lisboa. Os suspeitos foram detidos e estão em prisão preventiva. Um deles era reincidente e tinha sido libertado há pouco mais de dois meses da cadeia onde estava a cumprir uma pena de 11 anos por outra violação - de uma jovem enfermeira do hospital Amadora-Sintra, um caso que na altura chocou o país -, igualmente envolvendo um elevado grau de violência. Este perfil de violadores tem sido raro no passado, mas no último ano a PJ notou um crescendo de agressividade.

Desde o início do ano, até final de novembro, a PJ abriu 474 novos inquéritos por este crime - nada de muito diferente da média da última década. Todos os anos, 400 a 500 mulheres são violadas e no ano passado foi este o crime violento que mais subiu, em contraciclo com o global da criminalidade violenta. Há muitos anos que a percentagem de presos por violação é de 4% a 5% dos reclusos. "Se o número de violações não desce é sobretudo porque há novos criminosos. É uma história antiga e renovada", assinala o psicólogo criminal Rui Abrunhosa Gonçalves. O que estes números não dizem é que a violência associada a estes crimes sexuais tem sido mais frequente, a ponto de levar a direção da Polícia Judiciária a procurar respostas mais profundas.

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