"O Abel Ferreira é a ficha número 1 da CBF [Confederação Brasileira de Futebol]. Só não não será selecionador do Brasil se não quiser... Aí é outra história." Quem o diz é Argel, antigo jogador brasileiro do Benfica e FC Porto, que tem a certeza que o português do Palmeiras está no topo da lista para suceder a Tite na canarinha após o Mundial.."Ele já ganhou tudo no Palmeiras, precisa e quer um novo desafio e ninguém pode dizer não à canarinha. Pelo menos eu acho que ninguém diz não a uma seleção com cinco títulos mundiais e com um leque de jogadores como não existe em lugar algum do Mundo. Além disso ele ganha, é competente e conhece bem o futebol brasileiro e os brasileiros que jogam na Europa", defendeu ao DN o antigo defesa central, que agora é treinador (deixou recentemente o Alverca) e mora em Lisboa..O único problema é saber se o treinador do Palmeiras "quer", porque é um técnico jovem (43 anos), com uma carreira inteira pela frente e treinar uma seleção e fazer uns 15 jogos por ano é diferente de orientar todos os dias e fazer dois a três jogos por semana. Apesar de ter renovado contrato até 2024, sair do Verdão não seria um problema, segundo soube o DN..O nome do português deixou de ser rumor para pegar na seleção brasileira, e passou a "opção", depois de o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, admitir que o atual treinador do Palmeiras é um dos nomes equacionados para suceder a Tite, que deixará de ser selecionador do Brasil após o Mundial 2022. E garantiu que a CBF não tem qualquer preconceito no que toca à nacionalidade do próximo selecionador, frisando que o critério será a "competência"..Então "o cargo já é de Abel Ferreira", defendeu Argel, enumerando os troféus ganhos pelo português em menos de dois anos. Desde que desembarcou em São Paulo em outubro de 2020 para treinar o Palmeiras, o técnico conquistou duas Taças Libertadores (a Champions da América do Sul), uma Taça do Brasil, um campeonato paulista e uma Supertaça Sul-Americana. Agora está perto de vencer o campeonato brasileiro. O Palmeiras é líder com 12 pontos de vantagem sobre o Internacional e 15 para o Fluminense, quando faltam jogar oito jornadas para o final do Brasileirão..Nada mal para quem só tinha treinado PAOK (Grécia) e o Sp. Braga, além das equipas B dos arsenalistas e do Sporting, como recordou Argel, antes de se referir ao "casamento perfeito" entre o técnico e o Verdão: "Se o Abel deu tudo ao Palmeiras, o Palmeiras deu tudo que o Abel tem.".Argel, que também representou o Palmeiras, acredita que a decisão da CBF está tomada e as "possibilidades" de Abel ser selecionador "são reais". E não dependem do desempenho do Brasil no Mundial 2022, que se joga no Qatar, de 20 de novembro a 18 de dezembro. "O Tite já disse que ia sair, por isso a CBF irá seguir outro caminho e não acredito que esperem por um desastre no Mundial para justificar a contratação de um selecionador estrangeiro. Eles já escolheram o caminho e quem será o líder, mas, por respeito ao Tite e para não criar clima na seleção antes do Mundial, só vão anunciar depois", segundo Argel..Ednaldo Rodrigues admitiu na quinta-feira que Abel é um dos nomes em cima da mesa, assim como Dorival Júnior (Flamengo) e Fernando Diniz (Fluminense), e com isso abriu publicamente a porta a um estrangeiro, algo que nunca aconteceu oficialmente em 99 anos (ver caixa). "A nacionalidade não conta, é coisa de gente pequena. Não vejo ciumeira nos técnicos brasileiro. Os brasileiros reconhecem a competência. Claro que há um ou outro que não gosta do Abel, mas nem Jesus agradou a todo o Mundo", lembrou o antigo jogador, afirmando que só fica na história quem ganha..E os mais de 50 brasileiros que treinaram na liga portuguesa dão-lhe razão:" Quem ganha fica na história, quem perde sai. Só o Otto Glória, o Marinho Peres, o Carlos Alberto Silva e o Sclolari são recordados. Quando chegou o Felipão não agradou a todos, mas levou Portugal à final do Euro 2004. Por isso o Abel é o cara certo. Ele não só ganha, como o faz com frequência e com muita consistência.".Segundo Argel, muita da animosidade é criada pela imprensa, que "cobra" muito dos treinadores e quando algum os enfrenta sofre na pele: "O Abel é frontal e direto e nem todos apreciam a postura. Eu gosto. E posso dizer que ele tem o apreço e reconhecimento dos adeptos brasileiros. Vou muitas vezes a São Paulo e vejo adeptos do Corinthians, que é o maior rival, a falar bem do Abel. O adepto brasileiro quer ganhar e reconhece a competência. Eu diria mesmo que, nesta altura, o Abel tem 80% do apoio dos adeptos brasileiros.".isaura.almeida@dn.pt