Cláudia Azevedo e Paula Amorim: Mulheres de negócios à frente de porta-aviões

Chegaram ao topo dos impérios dos pais, mas é a sua própria marca que deixam todos os dias nas empresas que lideram. São reconhecidas como grandes profissionais, empenhadas e competentes. E acreditam que o seu futuro é possível para outras mulheres.

Paula Amorim: 20 janeiro 1971
É casada, tem dois filhos, 22 e 18 anos, é a mais velha de três irmãs, de Mozelos, Santa Maria da Feira, e apaixonada por sapatos.

Cláudia Azevedo: 13 de janeiro de 1971
É casada, tem um filho e uma filha, 17 e 13 anos, é a mais nova de três irmãos, portuense e portista convicta.

São ambas mulheres do Norte, mães de dois filhos e aos 50 anos têm em mãos a liderança de impérios. Cláudia Azevedo, a mais nova de três irmãos, sucedeu há dois anos ao irmão, Paulo, à frente dos destinos do grupo Sonae, criado pelo pai e com empresas em áreas que vão desde os centros comerciais (incluindo o gigante Colombo) à distribuição (Continente), passando pela moda (MO), telecomunicações (NOS), media (Público), fitness e tecnologia. Paula Amorim, a mais velha de três irmãs, liderou o império que o pai lhe deixou há quatro anos, assumindo os negócios da cortiça ao petróleo, da banca ao projeto imobiliário de luxo da Comporta. E quando chegou a vez de passar o leme da Amorim à segunda irmã, Marta, no último verão, ficou onde já assumira posição de administradora desde 2012 (então vice), mantendo-se como presidente do conselho de administração da Galp Energia.

Mas se Cláudia, herdeira discreta de Belmiro de Azevedo - de quem dizem ser "dura a negociar, avessa a meias palavras, capaz de deixar claro com o olhar ao que vai e mulher de resoluções que não faz nada ao acaso", conforme escreveu a Notícias Magazine -, tem estado totalmente focada no negócio da família, sendo uma "gestora corajosa e defensora entusiasmada dos projetos" em que lidera mais de 50 mil funcionários e representa 20 mil acionistas, Paula optou dar um passo em frente que lhe permitisse criar o seu próprio legado.

Sem rejeitar ou descurar o império construído por Américo Amorim, a primogénita começou a trabalhar aos 19 anos e cedo se lançou na construção do Grupo Amorim Luxury, liderando desde 1995 a aquisição das lojas multimarca de luxo Fashion Clinic. "Acabei por não concluir os estudos universitários (em Gestão Imobiliária) e o meu primeiro trabalho foi no grupo Américo Amorim na área imobiliária. O meu primeiro negócio surge em 2005, quando comprei a Fashion Clinic, sozinha e sem o respaldo financeiro do grupo familiar", contava numa entrevista de vida à Vogue. Foi somando ativos, como o franchising da Gucci, e conceitos, como o JncQuoi (já são três, na Avenida da Liberdade, entre os restaurantes de topo e o Club) e a pastelaria francesa Ladurée, especialmente notável pelos macarons. A licenciatura não lhe fez falta porque, conforme descreveu, ganhou "uma grande "universidade" e uma aprendizagem real dos negócios, com ensinamentos muito bons de trabalho e de relação com as pessoas".

Unanimemente vista como a mais parecida com o pai, Cláudia Azevedo tem um estilo de liderança que lhe é natural. E se juntou uma dose de diplomacia ao instinto para os negócios de Belmiro, o seu espírito prático e focado levou-a à Sonae logo após ter concluído o curso de Gestão na Católica do Porto e o Master of Business Administration no Instituto Europeu de Administração de Empresas. Entrou na Sonae aos 24 anos, desempenhando várias funções em áreas de comunicação, publicidade e marketing, chegando à liderança da Sonaecom em 2006 e sendo em 2011 nomeada presidente do conselho de administração da Sonae Capital. Um ano mais tarde, chegava à administração da Zopt (Sonaecom+Isabel dos Santos), para controlar a empresa saída da fusão da Zon-Optimus (hoje NOS).

A vida e as quotas na gestão

Sem se terem cruzado na vida ou nas áreas de negócios, Cláudia Azevedo e Paula Amorim têm em comum o estilo discreto, o reconhecimento do valor que construíram e o gosto por algumas das melhores coisas da vida - boa comida, bom vinho, sentido de humor e os momentos passados com os filhos no topo da lista de luxos. Cláudia gosta de receber amigos em casa, é divertida e boa conversadora; Paula não dispensa os serões em família, com um bom filme e uma boa sopa - não gosta de acordar cedo nem de multidões ou grandes confusões. E é apaixonada por sapatos.

O dinheiro merece respeito a ambas, a herança dos pais a revelar-se na seriedade com que aproveitam o conforto que proporciona sem nunca deixar descontrolar gastos. Ambas têm bem presente o que custa ganhá-lo.

E se ainda ouve as palavras do pai Américo, quando dizia às três filhas que não se deixassem "aprisionar pela mentalidade do caldo-verde", saíssem de Mozelos e abrissem a cabeça ao mundo, Paula reconhece que o dinheiro não vence tudo. "Não resolvo com dinheiro o facto de ter de ir para Milão e os meus filhos ficarem em casa a chorar por mim. Luxo é ter tempo para estar com os meus filhos", dizia em entrevista à Vogue, quando os rapazes eram ainda crianças.

Sobre a necessidade de conciliar trabalho e vida em família, Cláudia Azevedo respondia, numa conferência recente: "Não vejo essa pergunta do "work/life balance" ser feita aos homens". Talvez por isso tenha mudado a sua posição relativamente às quotas para mulheres: "Não as defendia, mas hoje sou a favor; em 25 anos não vi acontecer progressão nenhuma." Por isso mesmo, desde que pegou na Sonae tornou obrigatório incluir currículos de mulheres nos recrutamentos da empresa, ainda que a decisão final seja sempre feita "por mérito". "É importante avaliar homens e mulheres pelos mesmos critérios."

Paula Amorim concorda: "Um bom profissional não tem nada a ver com o ser mulher ou homem", o que é essencial é a capacidade de entrega total, dizia na mesma entrevista. "Temos de esquecer o tema homem/mulher." O que é preciso então para as mulheres ascenderem na carreira? "Têm de acreditar, nunca desistir, empenhar-se sempre e dar o máximo, em qualquer aspeto da vida."

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