Premium Na televisão, a direita vence a esquerda

Nos últimos três anos aumentou o número de comentadores políticos ligados ao PSD e ao CDS nos vários canais televisivos. 84% são homens. O PCP é o partido menos representado.

Ao contrário do que acontece no Parlamento, onde o maior partido é o PSD mas a esquerda, junta, está em maioria, na TV não há nenhum efeito geringonça que prevaleça. Nos canais generalistas, de sinal aberto, só a SIC e a TVI têm programas de comentário político fixo. Em nenhum deles há um único comentador que se situe, publicamente, à esquerda. Aos domingos, Marques Mendes (SIC) compete com Paulo Portas (TVI) na análise da atualidade. Às segundas, Miguel Sousa Tavares, na TVI, tem como contraponto Manuela Moura Guedes, na SIC. Dos quatro, só há um - Sousa Tavares- que nunca foi deputado, ou dirigente, de um partido de direita.

O comentário na televisão mantém uma relação próxima com a atividade política - sendo pedido a deputados, dirigentes partidários, conselheiros - e menos a analistas externos, como Sousa Tavares. Essa é uma "singularidade portuguesa", nota Gustavo Cardoso, professor universitário que, com Paulo Couraceiro e Ana Pinto Martinho, realizou um estudo do MediaLab do ISCTE, que analisou 18 programas televisivos, entre o dia 1 de Março e o dia 1 de Abril de 2019.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.