Premium Na televisão, a direita vence a esquerda

Nos últimos três anos aumentou o número de comentadores políticos ligados ao PSD e ao CDS nos vários canais televisivos. 84% são homens. O PCP é o partido menos representado.

Ao contrário do que acontece no Parlamento, onde o maior partido é o PSD mas a esquerda, junta, está em maioria, na TV não há nenhum efeito geringonça que prevaleça. Nos canais generalistas, de sinal aberto, só a SIC e a TVI têm programas de comentário político fixo. Em nenhum deles há um único comentador que se situe, publicamente, à esquerda. Aos domingos, Marques Mendes (SIC) compete com Paulo Portas (TVI) na análise da atualidade. Às segundas, Miguel Sousa Tavares, na TVI, tem como contraponto Manuela Moura Guedes, na SIC. Dos quatro, só há um - Sousa Tavares- que nunca foi deputado, ou dirigente, de um partido de direita.

O comentário na televisão mantém uma relação próxima com a atividade política - sendo pedido a deputados, dirigentes partidários, conselheiros - e menos a analistas externos, como Sousa Tavares. Essa é uma "singularidade portuguesa", nota Gustavo Cardoso, professor universitário que, com Paulo Couraceiro e Ana Pinto Martinho, realizou um estudo do MediaLab do ISCTE, que analisou 18 programas televisivos, entre o dia 1 de Março e o dia 1 de Abril de 2019.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.