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Dia de Portugal

Há uma vila espanhola que ama a terra que Portugal esqueceu

Quando se olha para o território nacional, Portalegre é o ícone do abandono. O Dia de Portugal celebra-se neste ano aqui, na capital do mais despovoado distrito do país. Para os 2119 espanhóis de La Codosera, no entanto, as terras que os portugueses esqueceram são bem capazes de ser o centro do mundo

"Zé Gonçalves", e o homem estende a mão para se apresentar aos forasteiros. No fim da jorna de trabalho veio desaguar a este café, é empreiteiro e anda a recuperar uma casa no Alegrete, aldeia de Portalegre. "Estamos quase no fim dos trabalhos, agora só falta caiar as paredes de branco e recuperar uma fachada de xisto." Tem toda uma teoria para a reabilitação urbana: "Há aí uns patos-bravos que não respeitam a arquitetura alentejana, são uns criminosos. Então não é muito melhor preservar as tradições da nossa terra?", pergunta com um ligeiríssimo sotaque. É o acento das vogais que o denuncia - Zé Gonçalves é na verdade José González, espanhol de La Codosera, mas isso não significa que o outro lado da raia não seja também território seu.

Naquele município encostado à fronteira vivem 2119 almas, oficialmente habitantes da região espanhola da Extremadura, na verdade profundamente raianos. Como a maioria dos seus conterrâneos, José aprendeu primeiro a falar português - ou uma versão de português, que o seu crioulo parte da língua de Camões, tem até o som do s no lugar do z e do x, mas depois acrescenta-lhe uma certa entoação castelhana. "Espanhol só comecei a falar quando entrei na escola, tinha já 6 anos. É língua em que raramente penso. Ou sonho."

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