Em Lisboa, nos anos 90, o bairro do Casal Ventoso era a zona onde se consumia a céu aberto.
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Consumir droga não é crime há 20 anos. "Desafio hoje é a cocaína e o vício dos ecrãs"

Há 20 anos Portugal foi censurado por entidades ligadas à ONU por decidir descriminalizar a posse e consumo de droga. Agora é apontado como um exemplo. João Goulão foi um dos líderes desta mudança e aponta as novas prioridades deste combate.

Nas últimas duas décadas, o país passou de uma realidade em que a toxicodependência era um grave problema de saúde pública e criminal para uma situação em que as consequências do consumo deixaram de estar nas preocupações da sociedade. No ano em que surgiu a Estratégia Nacional de Luta contra a Droga - a lei foi aprovada a 22 de abril de 1999 era primeiro-ministro o atual secretário-geral da ONU António Guterres - foram registadas em Portugal 369 mortes relacionadas com o consumo de droga (na altura não era especificado quantos por overdose), tinham sido até esse ano diagnosticadas com sida 3239 pessoas e a droga mais consumida era a heroína. Estavam em tratamento 27 750 indivíduos.

Em 2017, segundo os dados mais recentes divulgados, a droga com maior apreensão foi a canábis, dos 313 óbitos cujas autópsias detetaram o consumo de droga, 38 aconteceram por overdose. Foram notificados 1068 casos de infeção por VIH relacionados com a toxicodependência e 234 casos de sida, 11% associados à toxicodependência. E nas 18 Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência foram instaurados 12 232 processos de contraordenação por consumo.

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