Premium Cabeças voadoras

Já que perguntam: vários folclores locais do Sudeste Asiático incluem uma figura mitológica que é uma espécie de mistura entre bruxa, vampira e monstro, associada à magia negra e ao canibalismo. Segundo a valiosíssima Encyclopedia of Giants and Humanoids in Myth and Legend, de Theresa Bane, a criatura, conhecida como leák na Indonésia ou penanggalan na Malásia, pode assumir muitas formas - tigre, árvore, motocicleta, rato gigante, pássaro do tamanho de um cavalo -, mas a mais comum é a de uma cabeça separada do corpo, arrastando as tripas na sua esteira, voando pelo ar à procura de presas para se alimentar e rejuvenescer: crianças, adultos vulneráveis, mulheres em trabalho de parto. O sincretismo acidental entre velhos panteísmos, culto dos antepassados e resquícios de religião colonial costuma produzir os melhores folclores (passa-se o mesmo no Haiti). A figura da leák, num processo análogo ao que costuma coordenar os filmes de terror, combina sentimentalismo e pavor, convertendo a ideia de que os vivos precisam dos mortos na ideia de que os mortos precisam dos vivos.

Por outras palavras, as eleições directas para escolher o próximo líder do PSD vão realizar-se daqui a um mês e a RTP1 transmitiu nesta semana um debate entre os três candidatos: o doutor Rui Rio, o doutor Luís Montenegro e o Miguel ("por mim, podem tratar-me por Miguel"). Empenhado em demonstrar a sua capacidade para inspirar união, Rio começou por responder à pergunta "o que é que fez nestes dois anos para pacificar o partido?" nos seguintes termos: "O que é que eu fiz? O que eu fiz foi eles falarem, falarem, falarem, e eu tentar não ouvir." A pacificação prosseguiu a bom ritmo com um empolgante combate de percentagens, concebido para ilustrar a miserável competitividade eleitoral do partido. "O doutor Rui Rio criticou Santana Lopes porque tinha tido 28%, ele agora teve 27%!" "28%!" "27,7%!" "Rui! Rui!" "Em Sintra, 14%! Em Loures, 16%! Na Amadora, 18%!"
"Rui! Rui! Rui!"

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