Compras de carros usados a crédito aceleram

Crédito automóvel cresce e com juros mais baixos.

O crédito automóvel continua a acelerar. É para comprar carros usados que se tem pedido mais dinheiro às instituições financeiras. Essa tendência já se verificava em 2017 e acelerou neste ano: o valor financiado para aquisição de carros em segunda mão cresceu mais de 20% nos primeiros cinco meses do ano, segundo cálculos do Dinheiro Vivo baseados em dados do Banco de Portugal.

Foram concedidos cerca de 830 milhões de euros nos primeiros cinco meses do ano para a compra de carros usados; na aquisição de automóveis novos o crescimento foi de mais de 12%, com um financiamento total de 430 milhões de euros até final de maio, data dos dados mais recentes do supervisor bancário.

Em cada cem euros emprestados para a compra de carro, 65 euros são dirigidos para carros em segunda mão. Essa proporção tem aumentado de ano para ano. No total de 2017, o peso do crédito para carros usados no total dos empréstimos automóveis tinha sido de 63%. Em 2015 era de pouco mais de 58%.

"Verificou-se um aumento da importância dos contratos destinados à aquisição dos veículos usados, em detrimento dos contratos para aquisição de veículos novos", disse o Banco de Portugal no Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho. O supervisor tinha já detalhado, num outro relatório, que o crédito para compra de usados representava 30% de todo o crédito pessoal concedido em 2017, contribuindo para o elevado crescimento deste segmento de empréstimos.

"A redução das taxas de juro, a menor restritividade dos critérios de concessão de empréstimos ao consumo e a intensificação da atividade de instituições de crédito especializadas neste segmento do mercado terão impulsionado a aceleração observada", explicava o Banco de Portugal num outro relatório que incidia sobre a estabilidade financeira.

Empréstimos maiores, juros mais baixos

Além do maior número de contratos, o valor médio de cada empréstimo para comprar carros usados tem também aumentado. Em locação financeira ou aluguer de longa duração o valor médio por contrato foi de 22 500 euros no ano passado. Uma subida de 1600 euros face a 2016, segundo o Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho.

Já no segmento de crédito para comprar carro usado com reserva de propriedade foi de 12 300 euros, mais 7% do que em 2016. Também no crédito para compra de automóveis novos o valor médio por cada novo contrato aumentou.

"O aumento do montante de crédito automóvel concedido em 2017 foi acompanhado por uma diminuição do custo do crédito. A TAEG [taxa anual efetiva global] média praticada diminuiu 0,4 pontos percentuais, entre os quartos trimestres de 2016 e 2017, uma diminuição mais acentuada do que a verificada no mesmo período de 2016", revelou o Banco de Portugal.

A esmagadora maioria do crédito para compra de carros é concedida por instituições com atividade especializada. Mas os bancos estão a ganhar alguma quota de mercado. Passaram de 8,7% em 2016 para 10,6% em 2017. "Verificou-se um aumento da importância relativa das instituições com atividade universal, uma vez que o montante de crédito automóvel concedido por este tipo de instituição aumentou 46,6%, face a 2016, acima do crescimento de 17,9% verificado nas instituições com atividade especializada", conclui o Banco de Portugal.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

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