Noite mágica de Ronaldo lança Portugal para a história

Portugal venceu a Suíça por 3-1 e vai disputar no domingo a final da Liga das Nações (Inglaterra ou Holanda). O hat-trick de CR7 coloca a equipa das quinas na terceira final da sua história... depois do título europeu, as quinas vão agora atacar mais um troféu. Venha de lá a Inglaterra ou a Holanda.

Cristiano Ronaldo. A lenda voltou a atacar e desta vez com três golos mágicos que colocaram Portugal na terceira final da sua história. A vítima foi a Suíça, que alimentou o sonho até aos 88 minutos, mas, com o marcador num empate a uma bola, eis que apareceu CR7 a fazer dois golos de rajada que colocaram o resultado em 3-1 e transportaram a equipa das quinas até à final da Liga das Nações, que se realiza no domingo, também no Estádio do Dragão, frente ao vencedor do Inglaterra-Holanda.

Na antevisão à partida, Fernando Santos tinha dito que tinha de encaixar todo o talento que a seleção tem, e foi seguindo essa ideia que mudou um pouco o esquema tático, colocando Bruno Fernandes como médio direito, derivou Bernardo Silva para a esquerda, mas aparecendo em zonas interiores, e fez a vontade ao povo colocando João Félix no ataque ao lado de Ronaldo, que quando a equipa perdia a bola derivava mais para a esquerda.

Shaqiri, um perigo à solta

O encaixe destes jogadores demorou um pouco a ser feito, até porque a Suíça mostrava que era uma equipa mais rotinada e com Shaqiri, moralizado pela conquista da Champions pelo Liverpool, em grande plano, com deambulações por toda a frente de ataque e libertando espaços para as entradas de Zuber na esquerda e do lateral direito Mbabu, que procuravam colocar a bola em Seferovic.

A primeira grande oportunidade da partida foi no entanto portuguesa, quando Ronaldo, lançado por Bernardo Silva, rematou torto quando estava em boa posição. Os helvéticos tinham mais bola e criavam mais embaraços à organização defensiva da equipa nacional, sobretudo por causa da magia de Shaqiri, pois claro... Rui Patrício, que chegou às 80 internacionalizações, que o diga, tantas vezes andou a bola a rondar a sua baliza.

CR7 abre as contas com uma bomba

Mas aos 26 minutos uma falta sobre Ronaldo em zona perigosa permitiu a CR7 abrir o livro com um remate muito forte e colocado, que não deu hipóteses ao guarda-redes Yann Sommer. A festa era portuguesa, mas nos minutos seguintes houve uma forte reação suíça, com Rúben Dias a fazer um corte providencial a evitar o empate e, depois, Seferovic a rematar à barra. Pelo meio, Ronaldo voltou a colocar o público em delírio com um conjunto de fintas que deixou Mbabu de cabeça à roda.

Ainda antes do intervalo, CR7 fez um passe a isolar João Félix, que rematou por cima, queixando-se de ter sido puxado por Ricardo Rodríguez, algo que nem o árbitro nem o VAR viram.

Feito o balanço da primeira parte, podia dizer-se que a Suíça não merecia estar a perder por aquilo que jogou e pelos desequilíbrios que provocou, mas acabou por ser vítima da eficácia portuguesa e de uma bomba de Ronaldo.

Era preciso uma equipa portuguesa mais consistente em termos defensivos na segunda parte e na verdade foi isso que começou por se verificar. Os suíços sentiam mais dificuldades em fazer o seu jogo de passes rápidos e em progressão, até porque a equipa das quinas já conseguia bloquear melhor Shaqiri.

A rábula do penálti dá em empate

Contudo, aos 53 minutos surgiu o momento caricato do jogo que poderia ter mudado a face desta meia-final. Num lançamento dos suíços para a área portuguesa, Nélson Semedo cortou a bola de cabeça e na sequência Zuber caiu na área. O árbitro Felix Brych mandou seguir e no contra-ataque Ronaldo colocou em Bernardo, que foi derrubado por Schär na área contrária. O juiz alemão começou por assinalar penálti a favor de Portugal, mas depois de consultar as imagens mandou marcar penálti para os suíços. Uma decisão polémica, mas que Ricardo Rodríguez aproveitou para fazer o empate.

Portugal passou depois por alguns momentos de alguma instabilidade que se acentuaram com a lesão de Pepe, que foi obrigado a dar o seu lugar a José Fonte. O jogo caiu então numa toada mais lenta, com as duas equipas a não quererem arriscar muito, pois um golo poderia decidir a meia-final.

Portugal era então uma equipa bastante previsível, com muitos passes curtos e sem ninguém que conseguisse dar velocidade ou fazer uma diagonal para baralhar a defesa helvética. Fernando Santos decidiu-se então por fazer entrar Gonçalo Guedes para agitar um pouco o ataque, tirando João Félix, que tinha cada vez menos espaço para brilhar. E foram as movimentações do avançado do Valência que começara a criar dúvidas na organização defensiva da Suíça.

Mudanças de Santos e golos de sonho

Com o passar do tempo, William Carvalho foi ocupando espaços mais à frente no meio-campo português, tentando transportar mais a bola, deixando a Rúben Neves a possibilidade de utilizar o seu excelente passe de longa distância. Portugal estava mais equilibrado mas não conseguia entrar na defesa contrária. Já tudo estava à espera do prolongamento quando Rúben Neves fez um dos seus passes teleguiados para a direita, onde Bernardo Silva recebeu com classe e colocou de imediato para Ronaldo, que na passada bateu Sommer pela segunda vez e lançou a equipa para a final.

Ainda se fazia a festa no Dragão quando Guedes arrancou pelo centro do terreno e deixou em Ronaldo, que encarou Akanji e rematou cruzado para o seu hat-trick, o sétimo da sua carreira ao serviço da seleção, chegando aos 88 golos de quinas ao peito.

Portugal garantia assim a presença na final da Liga das Nações com um resultado que, é bom que se diga, foi bem melhor do que a exibição. Mas com Ronaldo tudo o que parece complicado torna-se mais fácil. Agora, venha a final, com a certeza de que é preciso fazer melhor para que a seleção comandada por Fernando Santos volte a fazer história, depois da conquista do título europeu de 2016.

A Figura - Cristiano Ronaldo

Um, dois, três. Três golos do suspeito do costume. E vão 88. Mais uma vez, Ronaldo foi o salvador da seleção nacional, quando as coisas não estavam fáceis perante uma Suíça que foi sempre muito perigosa. A estrela da Juventus teima em mostrar que aos 34 anos está aí para durar. É verdade que já não anda naquelas correrias de outros tempos, mas a sua faceta de matador continua refinadíssima. Além dos golos, há que registar alguns passes belíssimos e um momento de magia, em que trocou os olhos ao excelente defesa direito Mbabu. Para a final da Liga das Nações Ronaldo mostrou que está pronto.

FICHA DO JOGO

Estádio do Dragão, no Porto
Árbitro: Felix Brych (Alemanha)

Portugal - Rui Patrício, Nélson Semedo, Pepe (José Fonte, 63'), Rúben Dias, Raphaël Guerreiro; Bruno Fernandes (João Moutinho, 90'+1), William Carvalho, Rúben Neves, Bernardo Silva; João Félix (Gonçalo Guedes, 70'), Cristiano Ronaldo
Treinador: Fernando Santos

Suíça - Yann Sommer; Mbabu, Schär, Akanji, Ricardo Rodríguez; Freuler (Drimic, 89'), Granit Xhaka; Zakaria (Edimilson Fernandes, 71'), Shaqiri, Zuber (Steffen, 83'); Seferovic
Treinador: Vladimir Petkovic

Cartão amarelo a Granit Xhaka (66'), Schär (68) e Shaqiri (85)

Golos: 1-0, Cristiano Ronaldo (25'); 1-1, Ricardo Rodriguez (57' gp); 2-1, Cristiano Ronaldo (88'); 3-1, Cristiano Ronaldo (90')

FILME DO JOGO

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.