Premium Quem são os inimigos de Nicolás Maduro

Dentro e fora de portas, ao presidente da Venezuela não falta quem o queira fora do palácio presidencial.

O presidente da Venezuela queixa-se de ter sido alvo de uma tentativa de assassínio. O ataque foi reivindicado pelo pouco conhecido grupo Movimento Soldados de Franelas, e seis pessoas foram detidas. Mas Nicolás Maduro foi expedito a apontar o dedo ao presidente cessante da vizinha Colômbia e aos grupos de extrema-direita que residem nos Estados Unidos.

"Não tenho dúvidas de que tudo aponta para a extrema-direita venezuelana em aliança com a extrema-direita colombiana e que o nome de Juan Manuel Santos está por trás deste atentado", disse Maduro.

Em entrevista à AFP, Juan Manuel Santos afirmou a oito dias de sair da presidência: "Vejo aproximar-se a queda do regime de Maduro." E desejou que tal acontecesse "amanhã", embora tenha desejado que tal aconteça de "forma pacífica".

O presidente que se afirma filho de Hugo Chávez especificou ainda que os "responsáveis intelectuais" e financiadores da operação residem na Florida, pelo que apelou o presidente norte-americano, Donald Trump, para combater "os grupos terroristas que pretendem cometer magnicídio ou atentados contra países pacíficos, como a Venezuela".

O aliado e homólogo da Bolívia, Evo Morales, deu importância a outras pistas e afirmou no Twitter que o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, se reuniu com oito presidentes da América Latina. E que nessas reuniões pediu apoio para um intervenção militar na Venezuela.

Demonstrar vulnerabilidade

"É óbvio que há uma oposição a Maduro fora da Venezuela, mas não sabemos verdadeiramente a dimensão da estrutura", afirma Felipe Pathé Duarte. Perante as informações existentes, o especialista em relações internacionais também não arrisca quem são os autores. "Quem está verdadeiramente por trás, se a Colômbia, se os Estados Unidos, não se sabe. O objetivo deste tipo de atuação, mais do que eliminar Nicolás Maduro, é demonstrar a sua vulnerabilidade física", comenta.

O grupo que reivindicou o ataque usou exatamente essa ideia numa mensagem no Twitter.


O ministro da Defesa Vladimir Padrino, em comunicado (escrito em maiúsculas) para expressar solidariedade das Forças Armadas para com o presidente, disse que esta "ação cobarde" é uma "prática típica das oligarquias", mas sem adiantar mais pormenores sobre quem são os oligarcas.

Oposição em Caracas

A oposição que o regime bolivariano chama de extrema-direita é um alvo comum de violentas críticas. Por exemplo, em 2016, um dos principais dirigentes, Diosdado Cabello, acusou a Vontade Popular, o partido fundado por Leopoldo López (preso desde 2014, a cumprir 13 anos de prisão na sequência das manifestações que causaram 43 mortos), de preparar uma "onda de violência".

Já o Vente, partido liderado por María Corina Machado, afirmou em comunicado que a "denúncia de tentativa de magnicídio" é a "a cobardia e a mentira expostas em plena Avenida Bolívar", onde decorreu a cerimónia de celebração do 81.º aniversário da Guarda Nacional Bolivariana.
E denunciou que "enquanto as máfias se mantiverem no poder" não há medidas económicas ou políticas que valham e apelou para que todos os venezuelanos saiam à rua para gritar "Fora Maduro".

Um cenário que, para já, parece estar longe de se concretizar. "As condições económicas e sociais levaram à instabilidade política, mas nem sempre são causa suficiente para derrubar um governo", aponta Pathé Duarte. "Não obstante a situação, com a inflação fora de controlo, o desemprego elevado, a escassez de alimentos e de outros bens de primeira necessidade, tudo isto ainda não foi suficiente para a desobediência civil. Porquê? Possivelmente por não haver apoio internacional suficiente, quem detém as armas está ainda muito próximo do governo", conclui.

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