Cientistas italianos em Portugal levam alterações climáticas à Fundação Champalimaud

São italianos, investigadores, e trabalham em Portugal. Neste ano decidiram criar uma associação para promover o conhecimento e a sua divulgação. A ciência das alterações climáticas é o tema da sua primeira conferência.

Não sabiam uns dos outros, mas quando há tempos se encontraram em Lisboa, num evento promovido pela embaixada italiana, aperceberam-se, com alguma surpresa, de que afinal eram muitos mais do que poderiam ter imaginado: talvez mais de uma centena, a trabalhar em investigação científica em diferentes universidades e laboratórios, um pouco por todo o país. Aproveitar as possibilidades que essa circunstância oferecia era o passo natural a dar. Não hesitaram.

"Lembrámo-nos de criar uma associação para fazer conferências, promover colaborações e intercâmbios culturais, e encontros entre os investigadores italianos e portugueses, e também com os cidadãos portugueses e os italianos a viver em Portugal", conta ao DN Andrea Zille, investigador do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil da Universidade do Minho e vice-presidente da recém-criada Hipácia - Associação dos Investigadores Italianos em Portugal.

A sua primeira iniciativa acontece já nesta sexta-feira, 6 de dezembro, pelas 17.00, na Fundação Champalimaud, com a realização de uma conferência sobre a ciência das alterações climáticas e o que se perspetiva para o futuro.

O tema não podia ser mais atual, embora a data "não tenha sido planeada a pensar na realização da COP, nesta altura, em Madrid", garante Andrea Zille.

Colocando, no entanto, a tónica no que a ciência diz sobre a problemática, a iniciativa acaba por cumprir um papel oportuno no esclarecimento sobre o que está em causa nas questões da mudança climática, numa altura em que estão em jogo, na capital espanhola, decisões políticas sobre o futuro.

Mulher, matemática e à frente do seu tempo

Desde que se tornou claro que as alterações climáticas são um problema real, que se agudiza ao ritmo da inação dos decisores políticos para reduzir de uma vez por todas as emissões de gases com efeito de estufa, as cimeiras do clima ganharam uma enorme projeção mediática, mas o debate público esclarecido só existe se houver conhecimento de causa, o que passa necessariamente pelo que a ciência diz sobre o problema.

"O objetivo foi tratar um tema atual sobre o qual já existe há muito consenso científico", diz Andrea Zille, sublinhando que persistem, no entanto, equívocos que confundem os cidadãos e a opinião pública, pelo que, "colocar o foco na ciência, é o melhor para passar a mensagem".

Com o apoio da Fundação Champalimaud, onde trabalha uma boa parte dos investigadores da nova associação, das embaixadas italiana e britânica, e do Instituto Italiano de Cultura, a conferência contará com três oradores: Enrico Brugnoli, antigo diretor do Departamento Terra e Ambiente do Conselho Nacional da investigação Italiano, de Roma; Pedro Soares, físico da atmosfera da Universidade de Lisboa, e Martin Siegert, do Imperial College de Londres e codiretor do Grantham Institute for Climate Change & Environment, do Reino Unido.

Cada um deles abordará uma faceta científica do problema, equacionando igualmente o que se perspetiva para o futuro, tanto nas possibilidades de mitigação do problema e adaptação da humanidade à situação, como no desenvolvimento dos modelos de previsão climática.

Hipátia, o nome da associação - Hipácia, ou Hipátia viveu em Alexandria no século IV d.C. e foi a primeira matemática documentada pela história - "é uma homenagem a uma das primeiras cientistas conhecidas, uma mulher muito à frente no seu tempo, que procurou a verdade através do método científico ", explica o seu vice-presidente, notando que a associação conta com grande número de mulheres entre os seus sócios. "Nas reuniões somos em geral metade homens, metade mulheres."

Nesta primeira conferência, aliás, só não participa uma oradora porque "a que tinha sido convidada acabou por não poder vir". A moderação, essa, está entregue a Catarina Pimentel, investigadora na Fundação Champalimaud. E no futuro não faltarão ocasiões, esperam os membros da associação Hipácia.

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