Premium Da cidade para o campo: quando a mudança corre mal

Quiseram ser pioneiros na reinvenção do interior do país. Sonharam com aldeias revitalizadas pela agricultura biológica, pelo turismo rural, ligadas por uma rede criadora de comunidade e escoadora de produtos de forma sustentável. Encontraram burocracia, desconfiança e um clima de divisão entre os da cidade e os do campo. Aqueles que já lá estavam falam de arrogância e de falta de humildade.

No dia 14 de agosto de 2017, Hugo Berenguilho Madeira abandonou a propriedade que tentava salvar das chamas, na aldeia de Castelo Novo, quando sentiu o calor queimar-lhe a pele, percebendo então que nada mais podia fazer para proteger o que lhe pertencia. A mulher esperava-o ansiosa na praia fluvial da aldeia e a imagem que guarda desse reencontro é a do marido, descontrolado, pontapeando a placa que assinala a inclusão da localidade na rede das aldeias históricas portuguesas.

"Ele estava desorientado e só dizia: 'Isto é tudo uma fantochada. É culpa desta gente toda", diz Inês Berenguilho Madeira, repetindo as palavras com que Hugo expressou na altura o desespero. "Perdemos tudo. Perdemos tudo."

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