Quando se junta a experiência e irreverência de Dirk Niepoort com a visão e ambição do jovem José Dias o resultado é um vinho "muito especial", "raro e exclusivo". É o Verídico 1900, um Very Very Old Tawny Port que chegou ao mercado numa edição limitada de 150 garrafas ao preço de 5.900 euros cada. "Depois de provar este vinho até quem não gosta de vinho do Porto vai passar a gostar", afiança o produtor..Este é o primeiro vinho do Porto lançado pela Wine Million, empresa de produção de bebidas alcoólicas e private labelling de luxo em português fundada por José Dias. Com 29 anos, decidiu dar nova vida ao vinho de uma barrica que o pai, Custódio Dias, enófilo e amante de vinhos, comprara com o intuito de lhe oferecer como uma herança passada ainda em vida e que estava a envelhecer desde 1900. "Quando tive conhecimento desses vinhos provei-os e vi que eram realmente muito bons e diferentes do que encontramos no mercado", diz o jovem, assumindo que precisava de alguém com o know how para "respeitar um vinho desta natureza" e "elevar o vinho e torná-lo ainda melhor"..A escolha recaiu em Dirk Niepoort, homem que há umas décadas inovou quando apostou em vinhos de mesa do Douro quando toda a atenção dos produtores locais se concentrava em vinhos do Porto. "Ele telefonou-me, almoçámos e eu disse 'sim'", resume. Fácil convencê-lo, portanto..O vinho de José Dias estava, segundo conta o próprio, "intocável, muito reduzido". "O que foi ótimo porque tínhamos uma base 100% pura para trabalhar", diz. "Queríamos um vinho que eu nunca tivesse provado e, mais difícil, que o Dirk nunca tivesse provado", acrescenta. Foi aí que o produtor, quinta geração da casa Niepoort, entrou em ação. "Meti o dedo e fizemos um lote um bocadinho diferente da base", admite. Garante que o Verídico é um vinho que tem a impressão digital da sua origem, mas imprimiu-lhe imperfeições para alcançar a perfeição. "Os vinhos velhos são, normalmente, caricaturas, muito doces, pesados, intensos. São academicamente interessantes mas não dão gozo beber", explica. Com este, com este calibre, "tem de se querer beber mais depois de um copinho".."Sente-se que é velho, enche completamente a boca, é muito persistente, mas não é enjoativo", assegura José Dias. "O único problema deste vinho é que quanto mais bebemos mais queremos beber", acrescenta..Mas só foram produzidas 150 garrafas e já foram praticamente todas vendidas a garrafeiras e restaurantes e a apreciadores e colecionadores, que pelos 5900 euros da garrafa se tornam sócios do clube privado DW, que irá proporcionar experiências únicas aos seus membros, pessoas com sensibilidade para as artes, gastronomia vinhos..Engarrafado num belo modelo da Vista Alegre Atlantis, este Verídico 1900 é apenas o primeiro de uma trilogia, que vai continuar a desenrolar-se nos próximos meses: o Vislumbre deverá ser lançado no primeiro semestre de 2024; e o terceiro no final desse ano. "Cada um deles conta uma história que se vai completando e que, no fim, conta a história global dos três. A ideia é surpreender e surpreender com a diversificação", explica José Dias..Na barrica ficou ainda um resto do tal vinho que o pai do empresário lhe doou, para o qual planeia mais um blend e um estágio de 30/40 anos. Para deixar a um filho meu, quando o tiver", partilha, seguindo o "gesto lindíssimo" do pai, homem que "nunca foi muito emocional", mas que só pode estar orgulhoso.