"Espero o dia em que um doente entre na consulta e eu possa estender-lhe a mão"

Pedro Pinto é cirurgião ortopédico, Tânia Russo é pediatra. Sara Ferreira é médica de família. Nenhum está na linha da frente da covid-19, mas o DN quis saber como é para um médico estar do outro lado. E, afinal, só o ritmo é diferente, porque o pensamento também está sempre a passo com a pandemia.

Primeiro, Pedro Pinto escolheu ser médico, entrou na Faculdade de Medicina de Lisboa e saiu em 2001, quando terminou o curso. Depois, quis seguir ortopedia, por ser a especialidade que reunia as características que mais o atraíam: "É uma especialidade muito prática, cirúrgica e ligada à mecânica". E também o conseguiu. Ingressou no Hospital de Santa Maria para fazer a sua formação e só saiu em 2012, quando foi convidado a integrar a equipa que ia inaugurar o Serviço de Ortopedia, no Hospital de Loures, onde continua. Quando o contactámos para saber se aceitava conversar com o DN, estranhou. "Atendo doentes infetados, mas não estou na linha da frente. Tem a certeza que quer falar comigo?"

"É o que queremos. Falar com médicos que não estejam na linha da frente, para que nos contem como estão a ser marcados pela pandemia: o que pensam, o que sentem, o que os preocupa e como olham para o futuro", argumentamos. "Ah, está bem, então podemos falar", remata. Estando ou não na linha da frente Pedro Pinto, Tânia Russo e Sara Ferreira um dia sonharam ser médicos e são-no no ano em que o SARS-CoV-2 invadiu o mundo e as unidades de saúde. Portanto, continuam a observar e a tratar doentes, a comunicar com eles e com os seus familiares e todos aceitam falar com o DN.

E já lá vão mais de nove meses desde que Pedro Pinto apertou a mão a um doente quando este lhe chegava à consulta pelas 09.00 no piso zero do hospital, já lá vão mais de nove meses que o uso de máscara se tornou obrigatório para quem lida com doentes. Hoje, refere, "estamos todos muito mais habituados, mas quer se queira quer não a máscara impõe distanciamento na ligação com os doentes".

Pedro Pinto é o primeiro a confessar que a marca maior da pandemia é o impacto na relação médico doente. "Espero, não diria com ansiedade, porque sou médico, mas com alguma emoção, o dia em que um doente me entre aqui na consulta e eu possa estender-lhe a mão para o cumprimentar". Ele é dos médicos que espera que a distância imposta agora entre médico doente se esbata assim que tudo puder voltar ao normal, porque "é o que mais noto na minha prática médica. De resto, tenho uma atividade programada mais reduzida".

Confessa ainda que lhe custa "ver doentes internados e sem visitas., há doentes muito idosos com síndromes demenciais que chegam a pensar que as famílias os abandonaram. Por outro lado, há famílias que ficam mais ansiosas por não conseguirem ter notícias de quem está internado. Nem sempre há tempo para falar com todas as famílias, se há doentes que ainda conseguem comunicar ao telefone e explicar o que têm e o que estão a sentir, outros não. É uma das realidades que mais mal me faz", sobre a qual, diz, "espero que passe o mais rápido possível".

O vírus ditou que a distância seja ainda maior do que a distância de uma máscara, ditou que uma boa parte das consultas, se tornassem "teleconsultas" para evitar aglomerações de doentes nas unidades hospitalares. "Tivemos de nos adaptar e respondemos bem", mas Pedro Pinto não quer pensar que um dia a medicina pode abdicar da consulta presencial, porque esta "é fundamental para a relação médico doente. Não é o cerne da questão, essa é a confiança, mas é fundamental", argumentando que quando há "teleconsulta em demasia também há uma certa limitação na relação com os doentes".

Hoje "há doentes que têm medo de ir ao hospital, quando telefono a algum para comparecer a uma consulta presencial, chegam a dizer-me que, se não fosse eu a ligar, não iriam. Um hospital é um lugar seguro, a ideia de que não é, está errada. Tanto no meu hospital como nos outros, estamos todos a fazer um esforço grande para haver o máximo de segurança para os utentes e para os profissionais", afirma.

"Acho que haverá muitas pessoas que não vão querer ser vacinadas e receio que isto leve a um atraso na resolução do problema.".

O cirurgião não defende que todos os doentes tenham de ir ao hospital, há situações que reconhece em que tal não é de todo necessária, mas quando é e o podem fazer deixa um conselho: "Todas as pessoas devem sair de casa, espairecer um pouco, dar passeios higiénicos, cumprindo as regras de proteção, mas ficar em casa e não ir ao hospital quando se deve ir, não é de todo a solução".

Pedro Pinto espera que nada disto altere a relação médico doente. "O apertar a mão a um doente não é o cerne da relação médico doente, mas é aqui que começa a empatia, a proximidade, o que é essencial para a confiança entre os dois. Penso que a este nível ainda a relação ainda não estará muito alterada", mas só o futuro o dirá. Por isso, o seu maior desejo, com o ano de 2021 a começar é que tudo passe, com ou sem necessidade de uma vacinação em massa.

E esta é outra preocupação do cirurgião ortopédico. "Acho que haverá muitas pessoas que não vão querer ser vacinadas e receio que isto leve a um atraso na resolução do problema", porque até aqui o Serviço Nacional de Saúde (SNS) respondeu à pandemia. Tem sido uma prova de fogo, de muito trabalho, não só nos hospitais como nos cuidados primários e na saúde pública, e não sou capaz de dizer que as coisas foram mal feitas", argumenta. "É sempre possível fazer melhor, mas às vezes pode é não haver recursos para o fazer, agora, de uma forma geral, a resposta foi boa. Veja a resposta dada pelos cuidados intensivos".

No entanto, Pedro Pinto não tem dúvida de que o futuro será marcado pelo receio de uma nova situação como a que estamos a viver. "Penso que nos próximos anos ainda andaremos com os nervos em franja com receio de que uma situação como esta volte a surgir, mas como cidadão a minha preocupação é que a economia do país volte a reavivar."

"Vou conseguir responder a este doente?"

Tânia Russo tem 39 anos e é especialista desde 2012, após cinco anos de internato em pediatria. E, tal como Pedro Pinto, começa por nos dizer: "Sou pediatra, não é uma das áreas que têm sentido mais o impacto da covid-19, embora, no meu hospital, como em muitos outros, tenha sido necessário recrutar especialistas e enfermeiros de todos os serviços para as áreas covid, e neste aspeto a pediatria não foi exceção".

A pediatra trabalha há pouco mais de um ano no Hospital Fernando da Fonseca, mais conhecido como Amadora-Sintra, e diz que tem sido surpreendida pela positiva. "Há um esforço por parte de todos os profissionais para que o hospital mantenha a sua atividade normal." E, segundo o que vai sabendo por colegas de outras unidades, "aqui tem havido sempre a grande preocupação de agir antecipadamente, planear e arranjar soluções", argumenta.

Ali, também há horários duplicados, férias adiadas e horas extras para se responder à pandemia e manter a atividade normal do hospital. "Na pediatria não tanto, mas os colegas das especialidades que estão mais envolvidos nos cuidados aos doentes covid fazem muito mais horas de trabalho do que o que é normal. O pensamento deles está dominado pela resposta à pandemia." E é a estes faz um elogio: "Têm sido incansáveis, têm dado uma boa resposta, mas neles nota-se o cansaço e a parte emocional a vir ao de cima. Não é fácil estar com aqueles doentes, não saber como podem evoluir, sobretudo quando agravam, ver a angústia dos próprios doentes, que nem sequer podem ter visitas e que tantas se têm se despedir das famílias por uma videochamada. É uma situação marcante para qualquer médico ou para qualquer profissional que cuida destes doentes".

No início, "havia nervosismo, estávamos perante o desconhecido. Havia medo. Eu senti medo, senti medo de poder contaminar os meus familiares, ía trabalhar sem saber se voltava a casa".

Todos são médicos e todos sabem desde o início da pandemia que um dia podem ser chamados para dar apoio às áreas covid. "Houve sempre um apelo por parte das chefias para que estejamos preparados para o caso de ser necessário sermos mobilizados para esta área, e quando há um aumento de casos e estamos na eminência de isso poder acontecer, aquilo que mais me preocupa é: 'Será que vou ser capaz de responder e de tratar este doente?'", assume. "É uma angústia que tenho como profissional, somos médicos, é claro que sim, todos tivemos todos a mesma formação na faculdade, mas depois divergimos por áreas de especialização. Cada um de nós ganhou mão no que se especializou, nem todos os médicos têm a mesma capacidade e o mesmo treino para conseguir ventilar um doente". E explica em seguida: "Eu não trato adultos há quase dez anos, desabituamo-nos e preocupa-me a mim como a outros colegas o sermos confrontados com uma situação para a qual poderemos não saber como atuar", mas, por outro lado, a medicina vive à base do trabalho de equipa, e sossega-a saber que "numa situação dessas estaríamos sempre com outros colegas com experiência para nos guiar e dizer como fazer". Portanto, sabe também que, apesar de ser uma angústia profissional, que responderia ao doente, porque é também para isso que "somos preparados".

No início, o medo do desconhecido unia-os a todos, tanto médicos como enfermeiros e demais profissionais, tanto fazia que estivessem na linha da frente como não. "Havia nervosismo, estávamos perante o desconhecido. Havia medo. Eu senti medo, senti medo de poder contaminar os meus familiares, ia trabalhar sem saber se voltava a casa. Neste momento, já estamos todos mais à vontade, já sabemos como nos proteger e o que fazer." Mas, mesmo assim, Tânia Russo desabafa: "Ainda não posso dizer que a covid-19 não domina completamente os nossos gestos, os nossos pensamentos e os nossos receios também, a toda hora, a todos os minutos e a todos os segundos."

O ambiente hospitalar mudou, a dinâmica também, mesmo nos momentos em que podem fazer uma pausa o vírus está presente, uma possível contaminação tem de ser sempre equacionada. "Durante uma simples refeição ou durante um café pensamos sempre nos cuidados que temos de ter, como devemos estar no espaço, o que devemos higienizar ou até para onde podemos ir para falar com este ou aquele colega. Se podemos estar a comer ao mesmo tempo e na mesma sala. Isto é o nosso dia-a-dia", conta a médica.

A pandemia trouxe a máscara, as luvas em duplicado e fatos de proteção com protocolos a seguir sempre que os vestem ou despem para evitar a contaminação do espaço e dos outros. A máscara passou a fazer parte "integrante de nós, nem sempre é fácil confortável usá-la, já nem pensamos nisso, mas quando alguns de nós estão na mesma sala e um retira a máscara, mantendo a distância, olhamos para o rosto do colega e pensamos, parece que já não te via há algum tempo. A sensação é essa".

"Todos os médicos têm grande preocupação com os doentes não covid. Há situações que estão a ficar para trás. Os serviços estão a tentar manter a atividade, mas haverá coisas que não se consegue fazer e que têm de ficar para segundo plano por não haver capacidade."

Tânia Russo é pediatra, mas também dirigente de um sindicato médico (Federação Nacional dos Médicos), e desde o início que a sua preocupação, e olhando para o volume de doentes do seu hospital, está associada a um facto: "Como vamos conseguir dar resposta, sabendo que ciclicamente têm sido precisas mais camas para internar os doentes covid, mas que o número de profissionais é o mesmo. Um doente pode ter uma cama ou ventilador, mas não se trata sozinho. O difícil é conseguir-se mais profissionais, mais médicos, mais enfermeiros."

Por isso, critica, que os prémios prometidos pelo Ministério da Saúde para os profissionais de Saúde, não integrem o esforço de todos os profissionais, "são prémios que estão a ser atribuídos se sem sabermos quais são os critérios, porque não foram só médicos ou enfermeiros que estiveram na linha da frente. Há muitos outros profissionais, o esforço é de todos, não percebo porque só alguns milhares são contemplados, quando o universo de trabalhadores da saúde é muito superior".

Preocupa-a também, e depois do que aconteceu na primeira fase da pandemia, que os doentes não vão ao hospital, e quando vão, por vezes, o seu estado de saúde já é crítico. "Não se nota tanto esta fase, mas continua a acontecer. Na pediatria, temos menos afluência nesta altura costuma estar cheia de crianças com gripe ou doenças respiratórias e isso ainda não aconteceu. Talvez também fruto da pandemia, o uso de máscara tem evitado muitas outras doenças", argumenta. Mas isto não faz que de uma forma geral "todos os médicos não tenham grande preocupação com os doentes não covid. Há situações que estão a ficar para trás. Os serviços estão a tentar manter a atividade, mas haverá coisas que não se consegue fazer e que têm de ficar para segundo plano por não haver capacidade".

Tânia Russo eceia que o impacto de tudo isto ainda não seja completamente visível, que só daqui a muitos meses seja possível observar os danos que esta pandemia infligiu aos doentes e aos profissionais, mas de uma coisa Tânia Russo tem a certeza, do "esforço de todos numa situação que nos surpreendeu e continua a surpreender".

Preocupa-me o burnout nos médicos

Sara Ferreira é médica de família numa Unidade de Saúde Familiar de Lisboa. No início da pandemia esteve na linha da frente, na assistência aos doentes covid e na plataforma Trace Covid - onde são inseridos os casos suspeitos e que estão em vigilância profilática - tanto de forma presencial como em teletrabalho, apesar de estar grávida. Em setembro, novas orientações da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, que "não permitiam às grávidas que ficassem com funções de teletrabalho", levaram-na a optar pela baixa médica, devido às complicações que já tinha tido com a gravidez. "Não podendo estar em teletrabalho, falei com os meus colegas na unidade e achou-se melhor que ficasse de baixa", explica ao DN.

Tal não significa que os seus dias não sejam preenchidos ainda com a ligação ao que se está a passar na unidade e com os seus doentes. "Tenho esta lista de doentes há mais de sete anos. Dei-lhes logo o meu e-mail pessoal para o que precisassem. Na altura, a própria unidade ainda não tinha um e-mail, e apesar de saberem que estou de baixa, é a mim que recorrem quando não conseguem obter uma resposta da unidade. E eu não sou capaz de não responder. Tento sempre apoiar e ver se a situação se resolve. Por vezes, é apenas pedido de receituário ou alguma dúvida com a medicação e isso resolve-se rapidamente". Reconhece que uma das queixas que os utentes mais referem é a dificuldade de contacto com a unidade, mas explica: "Somos oito médicos, oito enfermeiros e quatro administrativos, mas há sempre um ou dois médicos que ficam no atendimento à área covid e a lista de doentes destes colegas fica a descoberto durante o período em que estão nessa rotação. Durante algum tempo tivemos a minha lista e a de outra colega a descoberto", argumenta.

"Setembro foi um mês difícil, em outubro entraram dois novos colegas que acabaram a especialidade e que estão agora no atendimento à covid-19, mas somos poucos para uma população muito idosa, temos muitos doentes com mais de 80 anos, é uma população muito dependente e muito frágil e sem grandes apoios. No início da pandemia foi muito complicado gerir e explicar às pessoas que não poderiam vir ao centro de saúde, que não poderíamos ter os doentes ali acumulados, agora já é um pouco diferente." Mas continuam a ser poucos para tantos a precisar de ajuda, porque "a unidade serve todos os doentes que já tinha mais todos os outros que pertencem à área e que não têm médico de família. Estamos todos a tentar responder o melhor que sabemos e o melhor que nos é possível".

"Há situações tão básicas que pensamos que nem deveriam existir, como linhas telefónicas e telefones. Os médicos usam os seus telefones pessoais."

Por isso, diz, "uma das minhas preocupações é a sobrecarga de trabalho e burnout dos meus colegas". Na primeira fase foi difícil, mas adaptámo-nos, na segunda fase o trabalho aumentou ainda mais. E, nesta altura, os meus colegas estão pior do que estavam".

O esforço na USF de Sara Ferreira é idêntico ao de tantas outras do país, sobretudo das USF dos grandes centros urbanos. "Um médico de família tem de manter as consultas presenciais, dar resposta aos pedidos de receituário, que aumentaram imenso. Uma coisa que noto é que antes nem todos os colegas usavam o e-mail no contacto com os doentes e agora é o meio de comunicação mais usado, porque as linhas telefónicas, só temos duas, estão constantemente a ser usadas para o atendimento covid. Mesmo assim, os doentes queixam-se que as caixas de e-mail estão sempre cheias."

Sara Ferreira tem 38 anos, exerce medicina há mais de dez e ri-se quando argumenta: "São situações tão básicas que pensamos que já não deveriam acontecer. Quer o e-mail quer as linhas telefónicas são meios básicos de comunicação com o exterior, mas eu e os meus colegas temos usado os nossos telefones pessoais para dar apoio aos doentes."

Ao fim de nove meses, estando todos a trabalhar em condições muito difíceis, Sara Ferreira diz que a realidade que a medicina familiar vive agora está muito próxima do burnout. "Não só na minha unidade, como em muitas outras, é evidente o cansaço dos profissionais dos cuidados primários. Estamos todos a trabalhar em condições muito difíceis e cada vez mais com o volume de trabalho a aumentar, cada vez mais com mais papéis, telefonemas, sms e funções burocráticas". Diz mesmo que, "ao contrário do que as pessoas possam pensar, a função de um médico de família hoje é muito mais burocrática do que prática de medicina. Uma lista ou agenda presencial com doentes é muito mais fácil de gerir".

E ao fim de nove meses o sentimento é de grande cansaço, "em termos psicológicos, está a ser muito desgastante, não é só a burocracia, é também saber que do outro lado estão os doentes, descontentes, uns percebem outros não, há muita impaciência e descarregam nos profissionais de saúde, e sinto que o burnout aumenta".

Uma perspetiva que ainda angustia mais quando se "percebe que isto não vai aliviar. Os profissionais já estão sem gozar férias, folgas, e todos nós precisamos de descansar. Por exemplo, a minha unidade organizou-se de forma que quem está trace covid pudesse folgar um dia da semana, mas sei que há outras que têm menos colegas em que isso não é possível". E o pior é terminar o dia sabendo que não há horas suficientes para "conseguir terminar as tarefas, vamos para casa, dormimos, e voltamos no dia seguinte para fazer o que é possível e há meses que é assim".

Quando tudo poderia ser diferente, bastava que algumas funções que estão atribuídas aos médicos de família passassem para outras entidades. "Há tarefas que poderiam estar alocadas a outras pessoas, como o Trace Covid. Isso dar-nos-ia espaço para a nossa verdadeira atividade, que é a medicina preventiva e curativa, para reavaliar os utentes que conhecemos bem." Alertando: "Neste momento continua a ser um problema a ausência de rastreios e de diagnósticos de situações mais complexas. Se não há rastreios, também não há a descoberta de outras patologias."

A mais-valia de um médico de família "é conhecer os doentes, as famílias, o cuidado individualizado e muito mais próximo da população e estamos a perder isso ao estarmos focados em atividades que são importantes, como a trace covid para isolar cadeias de transmissão, mas a verdade é que não é preciso conhecer a pessoa para fazer um telefonema ou registar dados numa plataforma diariamente".

Para Sara Ferreira "a pandemia tem prejudicado a medicina geral e familiar no que toca ao afastamento dos doentes. Há médicos que acompanham a mesma família há mais de 30 anos, mais do que uma geração; as relações, por vezes, passam muito o âmbito profissional, as pessoas nossas amigas". Espera que a pandemia não dê cabo do que se se conseguiu na medicina familiar e do que é a sua mais-valia: a proximidade com o doente. Mas aguarda agora o tempo de vacinação para ver como se vai dar resposta a mais este desafio.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG