Premium 1.º Direito. 6 meses depois os moradores do bairro da Torre continuam por realojar

Sem luz, sem água e a dormir no chão sob um teto de tábuas de madeira. Assim estão cerca de 150 pessoas no bairro da Torre, em Camarate. A portaria do programa 1.º Direito, publicada há seis meses, para dar uma casa a estas famílias ainda está por pôr em prática.

Ricardina Cuthbert vai distribuindo, pelas três mesas que ocupam a sala, travessas com banana frita e arroz para acompanhar o peixe-espada grelhado, que a paróquia de Camarate trouxe. A comida sabe a Angola e ninguém poupa os elogios à cozinheira que também a pôs nas mesas. "Há quanto tempo não víamos esta sala assim?", desabafa, quando finalmente se senta, a dona da única casa de tijolos com eletricidade e água do bairro da Torre, em Camarate, concelho de Loures - junto ao Aeroporto Humberto Delgado. A recém-recuperada sala serviu de casa às 35 pessoas que viviam nas quatro barracas consumidas pelas chamas num incêndio em julho. A maioria das quais foi realojada pela câmara municipal e pelo Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), na Margem Sul do Tejo ou na Apelação.

Flávia Fernandes também perdeu o pouco que tinha no incêndio mas continua sem ter para onde ir. Tem 53 anos e veio de São Tomé e Príncipe para Portugal há 34 anos. Agora, passa os dias perto de Ricardina, ajuda-a nas tarefas diárias e é ali que engana o estômago. À noite abriga-se no chão da barraca de um vizinho - uma construção tosca com tábuas de madeira e remendos de cartão.

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