Premium Rabiscados e pintados. Aumentam queixas sobre manuais escolares reutilizados

Vários livros estão a ser entregues escritos, desenhados e pintados. Representante das associações de pais diz que há escolas que descuraram a avaliação dos manuais por um prémio de dez mil euros destinado às 20 instituições com mais taxa de reutilização. Presidente da República apela à reutilização a 100%

Os relatos de pais indignados têm chegado ao Portal da Queixa, à medida que continuam a ser disponibilizados os vouchers para a recolha dos manuais escolares gratuitos. São "cada vez mais" as reclamações em relação aos livros entregues às famílias, comparativamente com o último ano, garante o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção. Descrevem situações em que lhes são entregues livros desenhados, pintados e escritos, sem qualquer intervenção por parte das escolas, responsáveis por tratar e avaliar a capacidade de reutilização dos manuais.

A maioria das reclamações visa sobretudo os livros do 1.º ciclo, apesar de a medida de gratuitidade, que arrancou em 2016/17, ter sido este ano alargada a todos os anos de escolaridade obrigatória.A explicação está no facto de serem livros que contêm espaços em que os alunos escrevem, desenham e colam autocolantes, e por isso não estão adaptados para a estratégia de reutilização.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rogério Casanova

Arquitectura fundida

Uma consequência inevitável da longevidade enquanto figura pública é a promoção automática a um escalão superior de figura pública: caso se aguentem algumas décadas em funções, deixam de ser tratadas como as outras figuras públicas e passam a ser tratadas como encarnações seculares de sábios religiosos - aqueles que costumavam ficar quinze anos seguidos sentados em posição de lótus a alimentar-se exclusivamente de bambu antes de explicarem o mundo em parábolas. A figura pública pode não desejar essa promoção, e pode até nem detectar a sua chegada. Os sinais acumulam-se lentamente. De um momento para o outro, frases suas começam a ser citadas em memes inspiradores no Facebook; há presidentes a espetar-lhes condecorações no peito, recebe convites mensais para debates em que se tenciona "pensar o país". E um dia, subitamente, a figura pública dá por si sentada à frente de uma câmera de televisão, enquanto Fátima Campos Ferreira lhe pergunta coisas como "Considera-se uma pessoa de emoções?" ou "Acredita em Deus?".

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Ler e/ou escrever

Há muitos anos, recebi um original de ficção de uma autora estreante que pedia uma opinião absolutamente sincera sobre a sua obra. Designar por "obra" o que ainda não devia passar de um rascunho fez-me logo pensar em ego inflamado. Por isso decidi que, se a resposta fosse negativa, não entraria em detalhes, sob o risco de o castelo de cartas cair com demasiado estrondo. Comecei pela sinopse; mas, além de só prometer banalidades, tinha uma repetição escusada, uma imagem de gosto duvidoso, um parêntese que abria e não fechava e até um erro ortográfico que, mesmo com boa vontade, não podia ser gralha. O romance propriamente dito não era melhor, e recusei-o invocando a estrutura confusa, o final previsível, inconsistências várias e um certo desconhecimento da gramática.