As regras que o jogo dita

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Controlar a pandemia é inevitável para assegurar o futuro. Ontem o Conselho de Ministros decidiu restringir ainda mais a circulação, sem ditar o confinamento. Não só permanecem as regras de não entrar nem sair da Área Metropolitana de Lisboa ao fim de semana como há indicação de uma espécie de recolher obrigatório entre as 23h00 e as 05h00 da madrugada em 45 concelhos. Não é de mais lembrar que Lisboa tem 54% do total das novas infeções. O jogo do vírus mudou e obriga a definir medidas mais apertadas.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fala em recursos pontuais e necessários para conter a pandemia. Resta saber se a lei que prevê o estado de calamidade e se as atuais regras da proteção civil dão a segurança jurídica necessária ao anúncio e à implementação destas medidas. É preciso ter o respaldo jurídico, não basta ter o respaldo político, e neste aspeto as vozes dividem-se. Este é um debate que tem de ser feito em Portugal, para que haja segurança e transparência.

Enquanto decorrem as discussões jurídicas, na sociedade portuguesa a perceção do risco da pandemia deixou de ser clara, sobretudo nas faixas mais jovens, e é preciso continuar a fazer soar todos os alertas. Há 2449 novos casos e cinco mortes por covid-19, segundo os dados revelados ontem. O autoagendamento para maiores de 30 anos já abriu e no próximo dia 4 arranca a vacinação a partir dos 18 anos. Ainda assim, só em meados de setembro é que Portugal deve atingir a imunidade de grupo por via da vacinação. Nessa altura, 85% dos portugueses terão pelo menos uma dose da vacina. Para que tal seja cumprido, a inoculação vai ser acelerada já neste mês.

Não é compreensível a falta injustificada de tantos portugueses quando convocados para a vacina. Até porque a variante Delta veio complicar ainda mais o combate à pandemia e a taxa de incidência tem vindo a subir. Sem as duas doses de vacina, a guerra será ainda difícil.

Números oficiais revelam que já chegaram ao país mais de 600 mil vacinas. O governo afiança que há capacidade de vacinar de forma ainda mais rápida. Pois que se avance, porque a incidência de covid-19 nos vacinados é muito menor do que nos não vacinados, de acordo com os dados que conhecemos ao dia de hoje.

Até ao momento os apoios do Estado por isolamento e doença já abrangeram 810 mil pessoas, uma conta pesada para as contas públicas que, na prática, são de todos nós.

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