A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Paraguai, Santiago Pena, e o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa (à dta.) antes dos discursos oficiais.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Paraguai, Santiago Pena, e o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa (à dta.) antes dos discursos oficiais.EPA / Presidência do Paraguai

Von der Leyen: Acordo do Mercosul é uma declaração de escolha do “comércio justo em vez de tarifas”

Presidente da Comissão Europeia destacou que o tratado criará “a maior zona de livre comércio do mundo”, com 720 milhões de pessoas.
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A presidente da Comissão Europeia afirmou este sábado, 17 de janeiro, que o acordo comercial, prestes a ser assinado entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, é uma declaração ao mundo da escolha do “comércio justo em vez de tarifas”.

Em Assunção, capital do Paraguai, perante os representantes do bloco do Mercosul, Ursula von der Leyen enfatizou: “Isto é muito mais do que um acordo comercial”.

A responsável europeia enalteceu ainda o facto de os líderes presentes estarem, neste momento, a fazer “história”, após mais de 25 anos de negociações que, finalmente, cria “a maior zona de comércio livre do mundo, um mercado partilhado de 700 milhões de pessoas".

“Estamos a criar a maior zona de livre comércio do mundo, um mercado que representa quase 20% do PIB global”, sublinhou.

"Reflete uma escolha clara e deliberada: escolhemos o comércio justo em vez das tarifas; escolhemos uma parceria de longo prazo em vez do isolamento e, acima de tudo, queremos oferecer benefícios reais e tangíveis às nossas sociedades e empresas", disse Von der Leyen.

A chefe da Comissão Europeia destacou que o tratado criará “a maior zona de livre comércio do mundo”, com 720 milhões de pessoas e um peso económico de 22 biliões de dólares (19 biliões de euros).

“Este acordo eliminará tarifas e outras barreiras ao comércio, abrirá a contratação pública e proporcionará um quadro claro, baseado em normas, para incentivar o investimento e o intercâmbio comercial”, declarou perante centenas de convidados num auditório.

Por outro lado, sublinhou a importância geopolítica do acordo, numa altura em que os Estados Unidos iniciaram uma guerra tarifária contra o mundo e tornaram públicas as suas ambições expansionistas com a Gronelândia.

“Estamos a criar uma plataforma para trabalhar juntos numa ampla gama de questões globais, incluindo uma reforma das instituições internacionais (...). Uniremos forças como nunca antes”, afirmou Von der Leyen.

A cerimónia de assinatura do histórico acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul começou neste dia no Grande Teatro José Asunción Flores, em Assunção, no mesmo local onde, em 1991, foi criado o Mercosul.

Costa: “Enquanto uns levantam barreiras, nós fazemos pontes"

Também o presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu que “enquanto uns levantam barreiras” a União Europeia e o Mercosul fazem “pontes” através do acordo comercial.

“Enquanto uns levantam barreiras e outros violam as regras de concorrência leal, nós fazemos pontes e concordamos com as regras”, sublinhou o ex-primeiro-ministro português, em Assunção, capital do Paraguai, perante os representantes do bloco do Mercosul.

António Costa afirmou que a União Europeia acredita "no comércio justo como força geradora de prosperidade, emprego e estabilidade”.

O Presidente paraguaio, Santiago Peña, é o anfitrião do encontro, que também conta com a presença de outros quatro líderes latino-americanos: Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia) e José Raúl Mulino (Panamá).

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, é o principal ausente.

Depois dos discursos dos líderes, os responsáveis por assinar o acordo, negociado desde o ano 2000, serão os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e o comissário europeu de Comércio, Maroš Šefčovič.

O aguardado acordo demorou mais de 25 anos de negociações e cria a maior zona de livre-comércio do mundo, num momento de crescente protecionismo global.

O acordo permitirá eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores e que, juntos, representam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 22 biliões de dólares (19 biliões de euros), segundo dados da Comissão Europeia.

Miguel Mâncio, da agência Lusa

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