Vice-presidente do BCE, Luis de Guindos
Vice-presidente do BCE, Luis de GuindosAris Oikonomou / AFP

Vice-presidente do BCE sublinha que independência da Fed é importante para mercados

Em entrevista ao jornal Politico, Luis de Guindos assinalou que “a independência de um banco central é algo importante para os mercados processarem como a inflação será mantida sob controlo”.
Publicado a
Atualizado a

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Luis de Guindos reforçou hoje que a independência da Reserva Federal (Fed) norte-americana é importante para os mercados.

Numa entrevista ao jornal Politico publicada esta quinta-feira, 15, o responsável espanhol assinalou que “a independência de um banco central é algo importante para os mercados processarem como a inflação será mantida sob controlo”.

“Também é positiva para as famílias e as empresas, porque o nível das taxas de juro estabelecido por um banco central credível e independente será mais baixo que o estabelecido por um banco central que não é independente”, acrescentou de Guindos.

O economista e vice-presidente do BCE desde 2018 alertou que se o banco central não for independente “acaba por tornar-se uma espécie de instrumento ao serviço da política orçamental”.

No seu entender, esta alteração de posição significa que um banco central pode perder “a verdadeira perspetiva da política monetária, que é combater a inflação”.

Ao mesmo tempo, um banco central independente mais credível tem “consequências em termos de taxas de juro”.

“Se olharmos para a curva das taxas de juro, a curva das taxas de juro de um banco central independente está sempre abaixo da de um banco central que não é independente”, disse.

Sobre o atual presidente da Fed, Jerome Powell, Luis de Guindos considerou que é “um profissional muito competente” que “tem sido um excelente presidente do sistema da Reserva Federal”.

Nesse sentido, registou que “é muito importante” que a independência dos bancos centrais também se aplique à Fed.

No domingo, Jerome Powell disse que a instituição recebeu uma intimação do Departamento de Justiça que pode resultar em acusações criminais tendo em vista a sua destituição, com base numa audiência no Congresso, em junho, durante a qual foi questionado sobre os custos adicionais das renovações na sede da Fed em Washington.

O presidente do banco central defendeu que o procedimento "sem precedentes" assenta num "pretexto", e que a intimação faz parte da pressão contínua, exercida pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a instituição para cortar as taxas de juro de forma mais drástica, mesmo com a inflação a manter-se acima da meta de 2%. Powell declarou ainda que não cederá à pressão do Governo.

Na terça-feira, vários governadores de bancos centrais internacionais, incluindo a presidente do BCE, Christine Lagarde, manifestaram a sua solidariedade para com Powell e a Fed.

"Solidarizamo-nos plenamente com o Sistema da Reserva Federal e o seu presidente, Jerome H. Powell", refere a declaração conjunta, em que os signatários apontaram que “a independência dos bancos centrais é fundamental para a estabilidade de preços, financeira e económica, em benefício dos cidadãos".

image-fallback
BCE fará mais subidas dos juros para controlar inflação, diz Luis de Guindos

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt