A Inteligência Artificial (IA) constitui uma ameaça crescente para as economias de todo o mundo e para o emprego atual, colocando em risco mais de 300 milhões de postos de trabalho (muitos dos quais podem desaparecer num ápice). No entanto, a tecnologia também abre oportunidades benéficas no sentido de aumentar os ganhos financeiros e sociais, bem como as condições de vida de outros tantos milhões de pessoas.É o que afirma o novo manifesto internacional "Temos de agir agora: uma declaração sobre a transformação da economia pela IA", disponível em https://www.wemustactnow.ai. A carta aberta já tem mais de três mil assinaturas.A declaração foi publicada no mês de julho de 2026, sendo subscrita, à cabeça, por 200 economistas e individualidades de alto perfil, incluindo laureados com o Prémio Nobel. A iniciativa foi originalmente organizada e promovida pelo Stanford Digital Economy Lab (Laboratório de Economia Digital da Universidade de Stanford, na Califórnia, EUA).Além do núcleo de investigadores de Stanford que idealizou este manifesto, estão envolvidas duas gigantes mundiais da IA: as empresas norte-americanas Anthropic (que detém robôs populares como o Claude) e OpenAI (detentora do pioneiro ChatGPT).Ambas as empresas, cada uma com 12 signatários, segundo contabilizou o DN, estiveram ativas na divulgação inicial deste manifesto que reflete várias inquietações. Ao todo, há 55 profissionais ligados a empresas e laboratórios de investigação em IA.Algumas análises prospetivas são até bastante pessimistas quanto ao impacto que a IA pode ter no futuro do emprego e da condição humana. É o caso de um estudo recente assinado pelo departamento de estudos do maior banco de investimentos do mundo, o Goldman Sachs, em parceria com a Universidade de Yale.Este trabalho, divulgado em março de 2026, indica que "o impacto potencial da IA no mercado de trabalho, num período de dez anos, deve aumentar" e que "a Goldman Sachs Research estima que 300 milhões de empregos em todo o mundo estejam expostos à automação pela IA".Para compensar, "é provável que a IA também ajude a criar empregos — particularmente na construção da infraestrutura energética e dos centros de dados necessários para sustentar o crescimento".O estudo prevê a criação de meio milhão de empregos líquidos, sobretudo nas áreas ligadas à construção e à energia necessária para alimentar o "cérebro digital" da IA.Fala-se, especificamente, da necessidade de mais "trabalhadores da construção civil, engenheiros, eletricistas e trabalhadores de linhas de transmissão", refere o estudo do banco.Em poucos dias, até à passada sexta-feira (31 de julho), a lista de signatários ultrapassou a fasquia dos três mil, como referido. Sendo tão global e abrangente, conta já com mais de uma dezena de investigadores universitários portugueses ou a lecionar em universidades em Portugal.IA: "maior do que a Revolução Industrial"?O manifesto parte do princípio de que "a IA pode tornar-se radicalmente mais poderosa nos próximos dez anos" e "pode impulsionar uma transformação sem precedentes na economia, maior do que a Revolução Industrial, mas desenrolando-se num período de tempo dramaticamente mais curto", de apenas uma década ou menos.A IA acarreta "riscos, incluindo a destruição de empregos em grande escala", salientam os autores, que evitam focar-se apenas na dimensão mais temida — a do desaparecimento definitivo de postos de trabalho.Apesar dos riscos, a declaração subscrita por três mil personalidades salienta que a IA também traz "oportunidades, como grandes melhorias nos padrões de vida".Os signatários terminam com um apelo: "economistas, decisores políticos e líderes tecnológicos devem agir agora para compreender a economia da IA transformadora e construir os incentivos, as salvaguardas e as instituições necessárias para direcionar a IA num sentido que complemente os seres humanos e beneficie a sociedade".Embora não o explicitem, estarão a referir-se, por exemplo, à urgência de um quadro de regulação nacional e internacional sobre a utilização desta tecnologia e o seu financiamento, considerando os recursos monumentais que exige (financiamento em bolsa, dívida pública, semicondutores, terras raras para o seu fabrico, eletricidade para alimentar as máquinas, água para arrefecer servidores, entre outros).Quase 700 dos elementos da lista são académicos reputados ou conhecidos. Entre eles contam-se vencedores do Prémio Nobel, como Daron Acemoglu, Joseph Stiglitz, Philippe Aghion, Oliver Hart, Bengt Holmström, Alvin Roth, Paul Krugman, Ben Bernanke e Robert Shiller.No meio académico, as entidades mais representadas são a Universidade de Stanford (cerca de 30 signatários), a Universidade de Harvard e a Harvard Business School (25 signatários), o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e a Universidade de Toronto (ambos com cerca de 20). As universidades de Chicago, Oxford e Columbia também marcam presença, cada uma com cerca de uma dezena de signatários.Fora do meio académico, destacam-se a OpenAI / Fundação OpenAI (12 signatários), a Anthropic (12) e a Google / Google DeepMind, criadora do Gemini (8).A lista inclui ainda vários portugueses, maioritariamente ligados ao ensino superior, como Luís Barreto Xavier (Universidade Católica Portuguesa), Manuel Gomes Samuel (Universidade Autónoma de Lisboa), José Valente de Oliveira (Universidade do Algarve), João Claro (INESC TEC e Universidade do Porto), José Fontes (AESE Business School / IESE), Marco Fernandes (Nova School of Business and Economics) e Carlos J. Costa (Universidade de Lisboa).Além da academia, o manifesto conta com forte participação do setor empresarial, registando mais de 300 signatários associados a empresas como a Google, Microsoft, Meta, Accenture, Cisco, NVIDIA, IBM, Lenovo e Amazon. Na consultoria e no setor financeiro, sobressaem nomes como McKinsey, EY, Deloitte, KPMG, Deutsche Bank, Allianz SE, JP Morgan, Bank of America e UBS, etc...Fórum BCE. Economista-chefe da OpenAI: "A IA não afetará todos os empregos da mesma forma".Milhares na China pagam 22 euros por ferramentas de IA para "despir com um clique".Maioria do uso da IA ocorre fora do trabalho, mas adoção individual correlaciona-se diretamente com o PIB.Moldar um futuro para a IA centrado no ser humano: ‘Cimeira de Impacto da IA 2026’.Google e Tesla têm planos para disparar investimentos em IA e geram pânico nos mercados.Modelo avançado da OpenAI quebrou controlos de teste e fez ciberataque a outra empresa de IA.“Urgência tremenda”. IA e startups: a nova aposta portuguesa contra a falta de água