Foi em 1986 que a Sonae deu os primeiros passos na hotelaria com a inauguração do Porto Palácio Hotel, numa das principais artérias da Invicta. Depois de quatro décadas e com um portefólio atual de 12 hotéis - localizados no Porto (5), em Viana do Castelo (1), em Lisboa (1), no Algarve (3) e na Madeira (2) -, a família de Belmiro de Azevedo prepara-se para acelerar o negócio neste segmento com um musculado plano de expansão traçado a cinco anos. O objetivo é praticamente triplicar o número de unidades em exploração no país até 2031, atingindo o marco das três dezenas de ativos.A holding SC Investments - que resultou da reestruturação da antiga Sonae Capital- detida integralmente pela Efanor, vai investir 50 milhões de euros na abertura de oito novos hotéis - em Lisboa, no Algarve, na Madeira e nos Açores - através da participada SC Hospitality que gere a marca The Editory Hotels. “A expansão foi algo que caracterizou o negócio ao longo dos últimos anos e queremos agora acelerá-la com um plano ambicioso de aberturas, aproveitando as oportunidades que o país apresenta. Temos em pipeline oito projetos em desenvolvimento, cujos os contratos já estão todos praticamente fechados, e os primeiros começarão a ver a luz o dia já dentro de dois anos”, revela Gonçalo Bernardes, CEO da SC Hospitality- Editory Hotels. Em entrevista ao DV/DN, o responsável da área de hotelaria da empresa, que registou receitas recorde de 40 milhões de euros em 2025 (+30%), detalha que a este investimento se soma ainda um pacote de cinco milhões de euros que será alocado a remodelações. A segunda fase da estratégia de crescimento prevê a integração de mais 10 unidades hoteleiras, podendo o financiamento ser enquadrado no pacote de 200 milhões de euros destinado a pequenas e médias empresas portuguesas lançado pela SC Investments no ano passado, com o objetivo de reforçar a liderança no mercado nacional e acelerar a expansão internacional, apoiando aquisições tanto em novas áreas de negócio como em setores onde a holding já opera. “Além destes 50 milhões de euros, poderemos aceder a este envelope financeiro mediante a apresentação de propostas. Existe músculo financeiro para irmos além, se as oportunidades certas aparecerem e se tiverem o retorno que estabelecemos”, refere..Sonae prepara entrada nos Açores e reforça aposta em Lisboa.A ambição de estender a fileira da atividade do turismo às ilhas já é antiga e foi concretizada, no final do ano passado, com a entrada em dose dupla na Madeira , através das aberturas do The Editory Ocean Way Ajuda Funchal e do The Editory Garden Carmo Funchal, num investimento de oito milhões de euros que visou a renovação e requalificação de dois edifícios históricos da cidade. Na calha estão mais dois projetos. “A Madeira é um destino de excelência. Já estávamos à espera de que os resultados destas unidades fossem bons mas, de facto, estamos muito contentes com a prestação. Queremos continuar a investir no destino e, para já, chegar aos quatro hotéis”, indica Gonçalo Bernardes. A presença nos arquipélagos portugueses ficará consolidada com a estreia nos Açores, uma das principais novidades desta primeira leva de projetos. “Não podemos ainda deslindar muitos pormenores, mas iremos entrar nos Açores. O primeiro hotel ainda terá de passar por toda a fase de licenciamento e de obras e, portanto, irá demorar. A nossa ambição é crescer e ter vários projetos porque acreditamos muito no destino e se surgirem boas oportunidades iremos avaliar”, afiança. Os constrangimentos nas ligações aéreas à região, ampliados pela recente saída da Ryanair, são um desafio, assume o CEO, mas não retiram entusiasmo ao investimento. “A conectividade aérea é essencial e crítica para o nosso negócio. Principalmente quando falamos dos Açores e da Madeira porque é a principal forma de acesso dos turistas. Obviamente que acompanhamos as decisões que estão a ser tomadas pelas entidades competentes com atenção e acredito que quando começarmos a operar nos Açores estas questões já estarão ultrapassadas. Queremos ter a certeza de que temos o produto certo, no destino certo”, justifica. No quadro continental, a SC Investments irá reforçar a oferta em Lisboa com a abertura de mais dois hotéis. Atualmente, a empresa conta apenas com uma unidade na cidade, o The Editory Riverside Santa Apolónia Hotel, inaugurado em 2022, que resultou da reconversão de uma parte da estação de comboios, no âmbito de um concurso adjudicado pela Infraestruturas de Portugal (IP) para a exploração do edifício por um período de 35 anos. O desafio de encontrar ativos a preços competitivos que garantam um nível de retorno equilibrado é o principal argumento que justifica que a aposta na capital portuguesa tenha sido relegada para segundo plano nos últimos anos. “O mercado de Lisboa está muito quente, as oportunidades estão todas muito caras e somos muito criteriosos nos investimentos que fazemos. Não investimos mais em Lisboa anteriormente porque o excel não fechava; o retorno não era o que pretendíamos nem tão imediato como noutras geografias. Mas, obviamente que queremos alargar a presença na capital e iremos fazê-lo agora que encontramos oportunidades que nos fazem sentido”, defende. Já a sul do país, o Algarve assume-se como uma das prioridades no negócio da hotelaria da holding da Sonae, que tem vindo a incrementar a sua carteira de ativos em exploração em Lagos. Ao Aqualuz Lagos by The Editory - que está no universo do grupo há mais de 20 anos, primeiro enquanto ativo próprio e posteriormente em regime de exploração - juntaram-se, no ano passado, o The Editory By The Sea Lagos Ponta da Piedade e o The Editory Residence Lagos. Gonçalo Bernardes assegura que o destino permanece atrativo e confirma a abertura de mais duas unidades nos próximos anos, embora não adiante as localizações da dupla de hotéis. “Apesar de o Algarve ainda ser muito sazonal, acredito que os projetos que estamos a desenvolver fazem sentido. As duas operações que abrimos em 2025 estão a correr muito bem e isso dá-nos ainda mais confiança para estes novos projetos”, sublinha o CEO da SH Hospitality- Editory Hotels. Contas feitas, o plano da SC Investments conta com dois novos hotéis na Madeira, dois em Lisboa e dois no Algarve e um nos Açores. Por desvendar fica, para já, a geografia da oitava unidade que a empresa prefere manter em sigilo uma vez que o contrato ainda não se encontra firmado..Destinos de média dimensão são foco.Com os oito primeiros projetos prontos para entrar em desenvolvimento, a SC Investments encontra-se já a afinar a segunda etapa do mapa de expansão e assume que está ativamente no mercado à procura de oportunidades, principalmente fora das grandes cidades. “Estamos a olhar para destinos não tão óbvios como Braga, Aveiro, Coimbra e Évora, por exemplo. A operação no nosso hotel em Viana do Castelo tem corrido muito bem e surpreendeu-nos, o que só demonstra que existe um conjunto de oportunidades fora das geografias mais maduras”, sustenta Gonçalo Bernardes.No ano passado, a empresa vendeu o conjunto de ativos do Tróia Resort - que incluía os hotéis Aqualuz Tróia Mar & Rio e o The Editory By TheSea bem como o Troia Golf, a concessão da marina de Tróia e a Atlantic Ferries - aos britânicos da Arrow Global, encerrando a operação de mais de duas décadas na Península de Setúbal. Escusando-se a comentar o valor do negócio, o CEO da área de hotelaria da Sonae atesta que a transação representou uma “oportunidade” e garante que o grupo está disposto a olhar novamente para a região.“Saímos porque surgiu uma boa oportunidade e decidimos aproveitar. Em nada esteve relacionado com o destino em si nem com futuras entradas. Algo que caracteriza esta nova era da SC Hospitality é que queremos acelerar a expansão e entrar em cidades de média dimensão. Estamos abertos a explorar outros destinos que ainda não estejam tão desenvolvidos, mas onde acreditamos que há potencial e aí insere-se, também, Troia, caso apareça um negócio que faça sentido”, admite. No que respeita ao modelo de negócio, o asset light continua a vincar a base da estratégia do grupo que quer alargar o foco para o M&A (fusões e aquisições). “É um modelo que é mais rápido e facilita a expansão. Aproveitamos os hotéis que já estão a operar, entramos e estruturamos o negócio, aproveitando sinergias. O real estate nunca foi o nosso foco porque acreditamos que somos bons na operação e é aí que nos queremos focar”, considera. Gonçalo Bernardes adianta que a elasticidade é o cerne da aposta nesta nova dinâmica de investimento. “Para nós o negócio tem dois clientes: o hóspede e o proprietário. Se o dono quer vender um negócio, nós arranjamos um investidor que compre o tijolo e fazemos a operação. Se o proprietário quer ficar com o ativo, mas valorizá-lo e obter um rendimento, nós temos uma solução. Se o proprietário quer é continuar com a propriedade e com a operação, e quer prestação de serviços, lá estaremos. Queremos ter um menu de opções ”, sinaliza..Sonae impulsiona economia circular com crescimento de 36% para 259 milhões em 2025