Sines é atualmente um dos principais polos de atração de investimento no país. A cidade portuária tem em curso projetos de relevo em infraestruturas tecnológicas, em fábricas de componentes de lítio e de baterias, e em produção de hidrogénio verde. Nos próximos anos, é esperada a criação de alguns milhares de postos de trabalho. Esta dinâmica industrial abriu uma janela de oportunidade para investidores e promotores imobiliários. Prova disso é a aposta da Soccal & Vaz, empresa que decidiu investir 100 milhões de euros no desenvolvimento de dois empreendimentos residenciais em Sines. E não pretende ficar por aqui.Os projetos estão prestes a entrar em comercialização, avança António Vaz, acionista da Soccal & Vaz. O Brisa Mar é um empreendimento de 180 fogos, com tipologias T1, T2 e T3. Segundo adianta, o investimento na aquisição dos terrenos (uma área total de 15 mil metros quadrados) e na construção é da ordem dos 50 milhões de euros. Os loteamentos estão pré-aprovados, estando previsto “para o mais brevemente possível” o início da obra. O preço médio de um apartamento ronda os 320 mil euros.O Mar Salgado, o segundo projeto que a dupla acionista António Vaz e Carina Soccal vai erigir em Sines, também exige um investimento de 50 milhões de euros, entre aquisição de terrenos (16,4 mil metros quadrados) e construção. Terá 164 apartamentos, entre tipologias T2 e T3. De acordo com António Vaz, o preço de venda “é deveras competitivo”, tendo em conta a variável qualidade/custo. A média está nos 380 mil euros. Os loteamentos já têm pré-aprovação. Em fase de planeamento, está já outro empreendimento, o Encanto do Mar, e, por isso, para já, não há pormenores sobre o projeto. Mas a ambição não termina aqui. “Pensamos reforçar o investimento imobiliário em Sines, sem sombra de dúvida”, diz António Vaz. Como adianta, “estamos a potenciar outros dois grandes empreendimentos” e a trabalhar “com grande afinco para que tudo se possa concretizar”.Segundo o responsável da promotora Soccal & Vaz, estes investimentos imobiliários foram pensados para os segmentos médio e médio-alto, e para residência permanente de famílias portuguesas. Já a tipologia T1 está direcionada para jovens locais em início de vida, mas também para nómadas digitais. “A nossa estratégia está focada nos compradores para viver”, frisa.Estes são os primeiros investimentos da Soccal & Vaz em imobiliário no país. Segundo António Vaz, “os racionais que levaram a empresa a investir em Sines são a aposta por antecipação assente numa visão estratégica de localização, não obstante antever algum risco estratégico”. Na sua opinião, “Sines beneficia de excelentes infraestruturas portuárias e industriais, mas também de um grande potencial em energias renováveis”. Há ainda que contar com o Data Center Sines 4.0, também designado como Sines DC, “uma aposta na inovação digital e infraestruturas que colocam Portugal na vanguarda da soberania digital europeia, trazendo para o nosso país inúmeros profissionais da área”, realça.Segundo afirma António Vaz, “os meios de financiamento na aquisição destes projetos, nos licenciamentos, etc., foram assentes em capital próprio”. Na área da construção, a empresa tem parceiros externos, mas “a banca portuguesa já nos fez saber que aprovou financiamento para a construção, todavia, para já, não necessitamos de financiamento bancário”, sublinha.António Vaz e Carina Soccal têm também investimentos em participações financeiras e no mercado de luxo, nomeadamente no Algarve e na Comporta. O percurso profissional dos dois acionistas seguiu a lógica das suas formações (Gestão e Finanças) e está centrado em atividades imobiliárias e financeiras. António Vaz sublinha que são “dois empresários que subiram a pulso, tendo todo o [seu] esforço sido recompensado”. “Somos um exemplo da meritocracia das gerações de 70/80.” .“Em dois, três anos, já vamos começar a ver os resultados” da ambição legislativa do Governo.Preço das casas subiu quatro vezes mais do que salários em 10 anos