Frente Comum, afeta à CGTP, diz que proposta é “motivação extra” para manifestação de 25 de outubro. Foto: Carlos Pimentel/GI
Frente Comum, afeta à CGTP, diz que proposta é “motivação extra” para manifestação de 25 de outubro. Foto: Carlos Pimentel/GI

Sindicatos da função pública rejeitam salário mínimo de 870,5 euros

Aumento de 5,9% proposto pelo Governo aproxima base remuneratória na função pública ao salário mínimo no setor privado.
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Em vésperas de apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2025, o Governo reuniu-se com as três estruturas sindicais representativas dos trabalhadores da Administração Pública para apresentar uma proposta de aumento da base remuneratória de 5,9% em 2025, para 870,5 euros. Trata-se de uma subida de 48,67 euros face aos 821,83 atuais, colocando a remuneração mínima no Estado muito perto do salário mínimo nacional, que vai aumentar 6,1% no próximo ano, para 870 euros.

“Os 50 cêntimos acima do salário mínimo nacional é uma brincadeira de mau gosto”, diz ao DN Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum, afeta à CGTP. “A proposta do Governo é uma motivação extra para os trabalhadores virem à manifestação nacional que marcámos para 25 de outubro”, acrescenta. 

Sebastião Santana defende que a remuneração mínima no setor público  “deve ser muito superior. O Estado deve dar o  exemplo também na base remuneratória da Administração Pública”, e lembra que há mais de 160 mil trabalhadores no nível mais baixo da tabela remuneratória única. 

Para a Frente Comum, o “Governo tem todas as condições para apresentar uma proposta decente”, sendo que a estrutura sindical reivindica aumentos de 15%, com um mínimo de 150 euros para todos os trabalhadores, o que “não significa que vão recuperar o poder de compra”, sublinha Sebastião Santana.

José Abraão, secretário-geral da Fesap - Federação de Sindicatos da Administração Pública, afeto à UGT, também não poupa palavras a esta primeira proposta do Executivo. Ao DN, diz que é “inaceitável” e “ridícula”, e que viola não um, mas dois acordos. O dirigente sindical refere-se ao acordo plurianual assinado com o anterior governo socialista, que prevê aumentos para todos os trabalhadores de 52 euros, ou um mínimo de 2%, e ao acordo de concertação social assinado com os parceiros sociais (exceto a CGTP) no início do mês, que consagra um aumento do salário mínimo nacional de 50 euros. também para José Abraão, “o Estado tem de dar o exemplo”. A Fesap reivindica aumentos de 6,5%, com um mínimo de 85 euros para todos os trabalhadores. 

A proposta do Governo para o aumento da base remuneratória  da administração pública é apenas um ponto de partida do processo negocial, que contará com mais três reuniões, nos dias 16, 21 e 29 deste mês, segundo a Fesap. “O que a secretária de Estado nos disse é que não é uma proposta fechada. Mas podiam ter a mesma celeridade na negociação dos salários da função pública como com os salários da concertação social”, diz José Abraão, criticando o facto de as negociações terem começado já depois da aprovação do Orçamento do Estado para 2025 em Conselho de Ministros. 

A Frente Sindical, liderada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), que foi o primeiro a ser recebido pela secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido, e a divulgar os 870,5 euros de base remuneratória proposta pelo Executivo, reivindica um aumento mínimo de 6% em toda a tabela. Segundo o STE, nesta primeira ronda negocial ficou também o compromisso do Executivo em avançar, em 2024, com a revisão da carreira dos oficiais de justiça e bombeiros sapadores; e m 2025 com a de técnico superior de saúde, medicina legal e de reinserção social/reeducação; e em 2026 com a carreira de inspeção. 

A Fesap diz que a revisão de todas estas carreiras estava prevista para este ano. “Não podemos aceitar que sejam revistas algures em 2025 e algures em 2026”, diz José Abraão.

Sobre a revisão destas carreiras, Sebastião Santana da Frente Comum diz que “não desvalorizamos, mas há aqui um conjunto grande de trabalhadores sem revisão nenhuma, nomeadamente os das carreiras gerai s (assistentes operacionais, assistentes técnicos e técnicos superiores)”. 

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