Sindicato alerta para "caos informático" na AT com milhares de notificações bloqueadas desde janeiro

Sindicato alerta para "caos informático" na AT com milhares de notificações bloqueadas desde janeiro

STI denuncia abismo entre a narrativa de modernização do Ministério das Finanças e o quotidiano dos Serviços Locais de Finanças, expondo falhas graves nas avaliações de imóveis e sobrecarga no IRS.
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O Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI) lançou esta segunda-feira (13 de julho) duras críticas à discrepância entre a narrativa governamental sobre a transição digital e o dia a dia real vivido nos Serviços Locais de Finanças de todo o país. Segundo a estrutura sindical, o discurso oficial do Ministério das Finanças sobre a modernização da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) choca com sistemas informáticos obsoletos que obrigam os funcionários a perder horas de trabalho diárias perante aplicações inoperantes.

Um dos casos mais graves apontados pelo STI prende-se com as notificações das avaliações de prédios urbanos. Desde janeiro que este processo está refém de procedimentos manuais devido a falhas de software que continuam por resolver. Meio ano depois, acumulam-se milhares de notificações por emitir, gerando atrasos profundos e prejuízos diretos para os contribuintes, trabalhadores da AT e agentes económicos, diz a organização sindical.

O sindicato apontou também o dedo à recente alteração unilateral no modelo de notificação da liquidação do IRS. A mudança traduziu-se em duplicação de tarefas, sobrecarga no atendimento e na necessidade constante de prestar esclarecimentos repetidos aos cidadãos devido a erros do próprio sistema, acusa o STI.

Para este sindicato, a situação dos trabalhadores da AT assemelha-se à dos professores, uma vez que ambos os setores enfrentam "falhas estruturais, falta de meios e decisões políticas tomadas à distância", sem que as chefias assumam a responsabilidade ou peçam desculpa aos profissionais afetados.

A estrutura sindical conclui que a verdadeira transformação digital do Estado não se faz com apresentações públicas de projetos financiados pelo PRR, mas sim com a simplificação de processos e a disponibilização de ferramentas diárias que sejam realmente fiáveis.

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