Seguro volta à carga. "Penso nos jovens que trabalham e continuam sem ter casa"
O Presidente da República (PR) foi acusado de estar demasiado ausente e em silêncio depois de as duas maiores cidades do país, Porto e Lisboa, serem palco de fortes protestos pelo direito à habitação (e que contaram com a resposta de duas violentas intervenções policiais), mas esta terça-feira, António José Seguro, voltou, pela segunda vez no mesmo dia, a criticar governo e partidos por não estarem a ser dialogantes entre si de modo a encontrarem soluções "concretas e duradouras" para que haja mais casas e a preços decentes e acessíveis.
Esta terça-feira ao final da tarde, António José Seguro, marcou presença na cerimónia dos 50 anos do Banco Europeu de Investimento (BEI), em Portugal, repetindo que "a habitação é uma das minhas principais preocupações" pelo que "renovo o apelo ao diálogo entre o Governo e os partidos políticos, para que encontrem soluções concretas e duradouras que permitam às famílias, e em particular aos jovens, aceder a uma casa e construir o seu projeto de vida".
Umas horas antes, de manhã, declarou que é "urgente" que governo e partidos voltem ou continuem a olhar para o problema já e que, entre outras "soluções", há "pelo menos 200 mil casas que estão em condições de ser colocadas no mercado de arrendamento". "Pergunto: custa alguma coisa aos atores políticos, ao Parlamento e ao Governo sentarem-se a encontrar as soluções perante esta urgência?", atirou de forma algo crispada o PR em declarações aos jornalistas à margem de um outro evento.
Esta tarde, na festa do meio século do BEI, no Ministério das Finanças, em Lisboa, Seguro insistiu que o país assinala este ano "quarenta anos de integração europeia" e que é preciso "assumir uma responsabilidade perante as próximas gerações".
"Um país onde o trabalho permita viver com dignidade, onde o conhecimento encontre oportunidades, onde uma família possa fazer planos com confiança", elencou o Chefe de Estado.
Segundo o PR, este é o critério pelo qual "devemos avaliar o investimento: pela capacidade de melhorar a vida das pessoas e de ampliar as suas escolhas" e assim "penso, desde logo, na habitação".
Seguro diz que pensa "nos jovens que trabalham e continuam sem conseguir ter a sua casa, nas famílias para quem a renda absorve uma parte excessiva do rendimento".
O Presidente alertou que "a dificuldade de acesso à habitação condiciona a autonomia dos jovens, a mobilidade dos trabalhadores e o desenvolvimento das nossas comunidades".
Este esforço nacional, continuou, "deve ser acompanhado por uma mobilização europeia reforçada, que conjugue os esforços dos Estados-Membros, da Comissão Europeia e do BEI e permita disponibilizar recursos adicionais".
E também "precisamos de dar maior escala e rapidez à resposta, para que mais pessoas possam ter uma casa compatível com os seus rendimentos".
Neste sentido, o PR acredita que "o apoio do BEI à habitação acessível pode ajudar a responder a estas dificuldades" porque "o financiamento de longo prazo permite preparar e realizar investimentos que precisam de continuidade".
Para o PR, tem de se assegurar que "os projetos avançam, que as casas ficam disponíveis e que as famílias encontram respostas compatíveis com os seus rendimentos".
"Uma casa é condição de dignidade, de segurança e uma base para desenvolver um projeto de vida", concluiu.
