A oferta de apartamentos para arrendar registou um aumento “muito significativo” nos principais distritos portugueses no último ano. Cresceu 11,5% em Lisboa, 20% no Porto, 29% em Setúbal, 27% em Santarém, 32% em Coimbra, 33% em Braga e 47% em Aveiro, revelam os dados da plataforma de anúncios imobiliários Imovirtual. Como sublinha Tiago Ferreira, responsável pela área de operações no Imovirtual & Olx, “entre 2024 e 2025, verificou-se um reforço muito significativo do conteúdo associado ao arrendamento, com crescimento transversal em praticamente todo o território”. Contudo, esta maior disponibilidade de habitação não se refletiu no preço das rendas.Nos dois grandes núcleos populacionais do país, o valor das rendas mantém-se bastante elevado e segue em crescimento. A análise do Imovirtual aos anúncios colocados no portal conclui que a renda mediana no distrito de Lisboa atingiu os 1800 euros, apresentando um aumento no último ano de 6%. No distrito do Porto, o valor mediano foi de 1150 euros, o que refletiu uma subida de 4,5%. São rendas que estão muito acima da capacidade financeira da larga maioria das famílias portuguesas. Num olhar mais fino à Grande Lisboa, o Imovirtual verificou que a renda de uma casa na capital portuguesa está nos 1800 euros, um aumento de 5,9%. Em Cascais, subiu 13,6%, para 2500 euros. O crescimento anual em Oeiras atingiu os 12%.No Grande Porto, os preços das rendas são mais baixos do que no maior centro urbano do país, mas há uma escalada bem mais acentuada em alguns municípios. No concelho do Porto, a renda mediana fixou-se no último ano em 1200 euros, traduzindo um aumento de 4%. Já em Vila Nova de Gaia, uma casa para arrendar custa agora 1300 euros por mês, uma subida de 13%. Na Maia, a renda mediana pedida ascende a 1100 euros, mais 10% do que há um ano. Em contrapartida, em Matosinhos verificou-se uma queda de 0,8%, ainda assim fixando-se em 1240 euros. Tiago Ferreira sublinha que estes valores medianos (refletem o valor central de um conjunto de dados) são os anunciados pelo cliente, não são necessariamente os que prevalecem no fim da transação. Segundo este responsável, o aumento da oferta de arrendamento ocorre em paralelo com uma redução “consistente” dos anúncios de venda, evidenciando “uma adaptação clara à dinâmica da procura”. Na sua opinião, os incentivos fiscais que o Governo propôs para senhorios e inquilinos no objetivo de dinamizar este mercado vão dar um novo fôlego à oferta. Medidas como a redução do IVA para 6% na construção de habitação para arrendar deverão também dar um impulso, pois “vão de encontro às necessidades” do país. O impacto, contudo, só chegará “a médio/longo prazo”. Segundo frisa, ”não há falta de casas para este segmento. Os proprietários é que não se sentem estimulados a colocá-las no mercado”, Ainda assim, e “apesar de estar sob grande pressão, o valor do arrendamento parece estar a estabilizar”, diz. A oferta para compra ajustada aos rendimentos dos portugueses é mais uma conversa. “Não temos casas a valores acessíveis”, sublinha. Os dados do Imovirtual confirmam. No último semestre de 2025, o preço mediano a nível nacional situava-se nos 436.667 euros e o valor médio procurado rondava os 240.073 euros, o que traduz um diferencial de 82%. Este “desfasamento entre oferta e procura na compra de casa continua elevado e estrutural”, aponta. É no distrito de Lisboa que se verifica a maior décalage: o preço anunciado ronda os 672 mil euros, para um procura disposta a pagar cerca de 317 mil euros. É uma diferença de 112%. Este desalinhamento entre a oferta e a procura estende-se ao Porto (discrepância de 65%), a Setúbal (69%), Leiria (94%), Faro (77%), Coimbra (69%) e Aveiro (68%). Segundo Tiago Ferreira, “os preços anunciados continuam a refletir escassez de oferta nas zonas mais dinâmicas e uma percepção de valorização sustentada do imobiliário”. Não é “um fenómeno pontual, trata-se de um desajuste estrutural entre o poder de compra das famílias e o nível de preços praticado nas áreas mais pressionadas do país”. Em janeiro deste ano, no distrito de Lisboa, o valor mediano de venda situou-se nos 650 mil euros, representando um crescimento anual de 15%. No distrito do Porto, fixou-se nos 420 mil, mais 7,7%..Manuel Reis Campos. “Aquilo que se está a construir não é habitação acessível, nem moderada, nem para as pessoas que necessitam”.Rendimentos e baixo valor de imóveis dão isenção de IMI a quase 651 mil pessoas