O governador do banco central da Croácia venceu a votação no conselho de ministros das Finanças da Zona Euro (Eurogrupo) para a vice-presidência (VP) do Banco Central Europeu (BCE), que decorreu em Bruxelas, esta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026.Mário Centeno, o nome proposto por Portugal e um dos seis candidatos na corrida, acabou por ser retirado pelo governo a meio do processo de seleção por não reunir apoios suficientes, noticiaram SIC Notícias, Lusa e Bloomberg, durante a tarde. Foi uma forma de acelerar o processo. O croata, Boris Vujčić, venceu numa seleção (duas rondas de votações) que durou poucas horas. Em 2012, o acordo demorou seis meses a ser alcançado, recordou o chefe do Eurogrupo.No final da reunião, em declarações aos jornalistas, em Bruxelas, o grego Kyriakos Pierrakakis, o atual presidente do Eurogrupo (o conselho dos ministros das Finanças da Zona Euro), confirmou que "Boris Vujčić, governador do Banco Nacional da Croácia", foi o preferido para preencher a futura vaga de vice-presidente do BCE.Se tudo correr como previsto, e deve correr, assumirá o cargo a 1 de junho próximo. O atual VP, Luis de Guindos, termina o seu mandato de oito anos no final de maio."Tenho o prazer de informar que chegámos a um acordo tanto sobre o processo como a pessoa. É um sucesso muito importante, um sinal de maturidade institucional, tendo em conta o número excecional de candidatos e experiências passadas, como a de 2012, em que foram necessários seis meses para se chegar a um consenso", destacou Pierrakakis.Desta vez eram seis a concorrer, mas foram necessárias escassas horas para chegar ao preferido, durante a tarde de segunda-feira, no Eurogrupo.Mais um "falcão" na cúpula do BCEComo Centeno e tantos outros neste meio, Vujčić é economista de formação. Atualmente é governador do Banco Nacional da Croácia (HNB) e é referido como "uma das figuras mais influentes da política monetária" neste país que aderiu ao euro a 1 de janeiro de 2023.Nasceu a 2 de junho de 1964, em Zagreb, não é político profissional, fez a carreira quase toda no banco central croata, não surge associado a partidos. É tido como "tecnocrata" e "europeísta".Em todo o caso, Vujčić é também referido nos meios da banca central como tendo o perfil de "falcão": um defensor de políticas mais austeras ao nível das taxas de juro, as preferidas pelos membros de Alemanha, Holanda, Finlândia e outros Estados do norte europeu.É visto como um partidário da inflação baixa nos 2%, mas na modalidade 'custe o que custar', portanto, pode ser muito mais avesso a grandes descidas nas taxas de juro, mesmo que a atividade económica (investimento e consumo) esteja a precisar de estímulos monetários, por exemplo.Já o antigo governador do BdP era e é visto como menos radical na abordagem da luta contra a inflação – é, neste jargão, uma "pomba": mais pró-crescimento e favorável a taxas de juro mais baixas e a descidas, se for o caso, de forma a proteger mais o crescimento e o emprego, e menos a meta de 2% na inflação.Vujčić doutorou-se em Economia pela Universidade de Zagreb, estudou nos EUA como bolseiro Fulbright na Michigan State University. Entrou no banco central do país banhado pelo Mar Adriático (HNB, na sigla em croata) em 1996 como diretor do departamento de estudos. Tornou-se vice-governador em 2000. A 8 de julho de 2012, subiu a governador, tendo sido reconduzido em 2018 e novamente em 2024 para um terceiro mandato consecutivo.Desde a adesão da Croácia ao euro em 2023 tem, naturalmente, assento no conselho de governadores do BCE.Centeno ainda foi à segunda voltaAo final da tarde de segunda-feira, soube-se que Mário Centeno, o antigo governador do Banco de Portugal e ex-ministro das Finanças do governo PS, ficou fora da corrida na sequência de uma decisão tática e política do atual executivo PSD-CDS, do ministro das Finanças Joaquim Miranda Sarmento, que o apoiou formalmente nesta corrida a partir de 9 de janeiro deste ano.Segundo a SIC Notícias e a Lusa, houve uma primeira ronda de votação dos seis candidatos à VP do BCE. Segundo a SICN, que cita fontes oficiais em Bruxelas, a referida votação "durou cerca de uma hora" e foram "retiradas as candidaturas do antigo ministro das Finanças da Lituânia, Rimantas Sadzius, e do governador do banco central da Estónia, Madis Müller.À segunda volta, a disputa foi, assim, entre quatro candidaturas, incluindo a de Mário Centeno.No entanto, explica a SICN, "as candidaturas do português e do governador do banco central da Letónia, Mārtiņš Kazāks, foram as menos votadas" e, assim, "foram convidados a desistir".Segundo a Lusa, "o Governo português retirou a candidatura do ex-governador do Banco de Portugal e antigo ministro Mário Centeno à vice-presidência do BCE, numa segunda ronda de votações na reunião do Eurogrupo em Bruxelas".Recorde-se que estavam na corrida ao lugar ocupado pelo espanhol De Guindos (cujo mandato termina em maio) seis pessoas: Mário Centeno (Portugal), Mārtiņš Kazāks (Letónia), Madis Müller (Estónia), Olli Rehn (Finlândia), Rimantas Šadžius (Lituânia) e Boris Vujčić (Croácia).O vencedor – Boris Vujčić – será agora "recomendado" ao Conselho Europeu, que o deverá escolher a título definitivo.A votação do Eurogrupo foi por maioria qualificada reforçada, isto é, com o apoio de 72% dos Estados-Membros da Zona Euro (ou seja, 16 dos 21 países do euro), com estes a terem de representar, pelo menos, 65% da população da união monetária.Depois da votação final no Conselho na quinta-feira, termina esta primeira etapa.Ao início da tarde desta segunda-feira, antes da reunião do Eurogrupo, o ministro das Finanças português sinalizou que a escolha de Centeno nesta corrida iria ser "difícil".Em declarações aos jornalistas em Bruxelas, antes de entrar para para a sala, Joaquim Miranda Sarmento disse que “esta é uma eleição difícil" porque o atual ‘vice’ é “um espanhol, antes foi um português [Vítor Constâncio], antes foi um grego [Lucas Papademos] e há naturalmente equilíbrios regionais com os países do leste, com os países do báltico para os quais é necessário olhar”, recordou o ministro.Na segunda etapa, terão de ser ouvidos ou consultados BCE e Parlamento Europeu sobre o nome do croata Boris Vujčić e só depois o Conselho Europeu voltará ao assunto e anunciará formalmente o nome do vice-presidente do BCE cujo novo mandato termina daqui a oito anos, no final de maio de 2034..Governo retira Mário Centeno da corrida à vice-presidência do BCE.Trunfos de Centeno no BCE: tem a simpatia de Lagarde e Costa; e Alemanha, França e Itália querem a presidência