O governador do banco central da Croácia venceu a votação no conselho de ministros das Finanças da Zona Euro (Eurogrupo) para a vice-presidência (VP) do Banco Central Europeu (BCE), que decorreu em Bruxelas nesta segunda-feira.Mário Centeno, o nome proposto por Portugal e um dos seis candidatos na corrida, acabou por ser retirado pelo governo a meio do processo de seleção por não reunir apoios suficientes, noticiaram SIC Notícias, Lusa e Bloomberg, durante a tarde.No final da reunião, em declarações aos jornalistas, em Bruxelas, o grego Kyriakos Pierrakakis, o atual presidente do Eurogrupo, confirmou que "Boris Vujčić, governador do Banco Nacional da Croácia" foi o preferido para preencher a futura vaga de vice-presidente do BCE. Se tudo correr como previsto, assumirá o cargo a 1 de junho próximo. O atual VP, Luis de Guindos, termina o mandato de oito anos no final de maio."Tenho o prazer de informar que chegámos a um acordo tanto sobre o processo como a pessoa. É um sucesso muito importante, um sinal de maturidade institucional, tendo em conta o número excecional de candidatos e experiências passadas, como a de 2012, em que foram necessários seis meses para se chegar a um consenso".Desta vez eram seis a concorrer, mas foram necessárias apenas umas escassas horas para chegar ao preferido.Vujčić é economista de formação, atualmente é governador do Banco Nacional da Croácia (HNB) e é referido como "uma das figuras mais influentes da política monetária" neste país que aderiu ao euro a 1 de janeiro de 2023.Nasceu a 2 de junho de 1964, em Zagreb, não é um político profissional, fez a sua carreira quase toda no banco central croata, não surge associado a partidos. É tido como "tecnocrata" e "europeísta".Em todo o caso, Vujčić é referido nos meios da banca central como tendo o perfil de um 'falcão', defensor de políticas mais austeras ao nível das taxas de juro, as preferidas pelos membros de Alemanha, Holanda, Finlândia e outros Estados do norte europeu. É referido como um partidário da inflação baixa nos 2%, mas 'custe o que custar', muito mais avesso a grandes descidas nas taxas de juro, mesmo que a atividade económica (investimento e consumo) esteja a precisar de estímulos monetários, por exemplo.Já o antigo governador do BdP era e é visto como menos radical na abordagem da luta contra a inflação – é tido como uma "pomba", mais pró-crescimento e favorável a taxas de juro mais baixas e a descidas de forma a proteger o crescimento e o emprego.Um "falcão" é alguém mais implacável e a favor de taxas de juro mais elevadas, cujo "alfa e ómega" é manter a inflação ancorada nos 2%, acima de tudo.Vujčić doutorou-se em Economia pela Universidade de Zagreb, estudou nos EUA como bolseiro Fulbright na Michigan State University. Entrou no banco central HNB em 1996 como diretor do departamento de estudos. Tornou-se vice-governador em 2000. Em 8 de julho de 2012, subiu a governador, tendo sido reconduzido em 2018 e novamente em 2024 para um terceiro mandato consecutivo.Desde a adesão da Croácia ao euro que também tem, naturalmente, assento no conselho de governadores do BCE.Centeno ainda foi à segunda voltaAo final da tarde de segunda-feira, soube-se que Mário Centeno, o antigo governador do Banco de Portugal e ex-ministro das Finanças do governo PS, ficou fora da corrida por decisão do atual executivo PSD-CDS.Segundo a SIC Notícias e a Lusa, houve uma primeira ronda de votação dos seis candidatos à VP do BCE. Segundo a SICN, que cita fontes oficiais em Bruxelas, a referida votação "durou cerca de uma hora" e foram "retiradas as candidaturas do antigo ministro das Finanças da Lituânia, Rimantas Sadzius, e do governador do banco central da Estónia, Madis Müller.À segunda volta, a disputa foi, assim, entre quatro candidaturas, incluindo a de Mário Centeno.No entanto, explica a SICN, "as candidaturas do português e do governador do banco central da Letónia, Mārtiņš Kazāks, foram as menos votadas" e, assim, "foram convidados a desistir".Segundo a Lusa, "o Governo português retirou a candidatura do ex-governador do Banco de Portugal e antigo ministro Mário Centeno à vice-presidência do BCE, numa segunda ronda de votações na reunião do Eurogrupo em Bruxelas".Recorde-se que estavam na corrida ao lugar ocupado pelo espanhol De Guindos (cujo mandato termina em maio) seis pessoas: Mário Centeno (Portugal), Mārtiņš Kazāks (Letónia), Madis Müller (Estónia), Olli Rehn (Finlândia), Rimantas Šadžius (Lituânia) e Boris Vujčić (Croácia).O vencedor – Boris Vujčić – será agora "recomendado" ao Conselho Europeu, que o deverá escolher a título definitivo.A votação do Eurogrupo foi por maioria qualificada reforçada, isto é, com o apoio de 72% dos Estados-Membros da Zona Euro (ou seja, 16 dos 21 países do euro), com estes a terem de representar, pelo menos, 65% da população da união monetária.Depois da votação final no Conselho na quinta-feira, termina esta primeira etapa.Ao início da tarde desta segunda-feira, antes da reunião do Eurogrupo, o ministro das Finanças português sinalizou que a escolha de Centeno nesta corrida iria ser "difícil".Em declarações aos jornalistas em Bruxelas, antes de entrar para para a sala, Joaquim Miranda Sarmento disse que “esta é uma eleição difícil" porque o atual ‘vice’ é “um espanhol, antes foi um português [Vítor Constâncio], antes foi um grego [Lucas Papademos] e há naturalmente equilíbrios regionais com os países do leste, com os países do báltico para os quais é necessário olhar”, recordou o ministro.Na segunda etapa, terão de ser ouvidos ou consultados BCE e Parlamento Europeu sobre o nome do croata Boris Vujčić e só depois o Conselho Europeu voltará ao assunto e anunciará formalmente o nome do vice-presidente do BCE cujo novo mandato termina daqui a oito anos, no final de maio de 2034..Governo retira Mário Centeno da corrida à vice-presidência do BCE.Trunfos de Centeno no BCE: tem a simpatia de Lagarde e Costa; e Alemanha, França e Itália querem a presidência