Um dos hotéis do grupo, nos Países Baixos, The Den, ‘s-Hertogenbosch, a Tribute Portfolio Hotel.
Um dos hotéis do grupo, nos Países Baixos, The Den, ‘s-Hertogenbosch, a Tribute Portfolio Hotel. DR

Neerlandeses da Odyssey entram em Portugal com a meta de uma dezena de hotéis até 2028

A operadora hoteleira multimarca dos Países Baixos está a acelerar o plano de investimentos em várias geografias do sul da Europa e estende o projeto de internacionalização a Portugal. Porto, Lisboa e Algarve recebem os primeiros projetos nos próximos três anos.
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O grupo neerlandês Odyssey Hotel Group (OHG) está a preparar a internacionalização para o mercado português onde pretende gerir uma dezena de unidades até 2028. A operadora hoteleira multimarca dos Países Baixos está a acelerar o plano de investimentos em várias geografias do sul da Europa e integrou Lisboa, o Porto e o Algarve na rota de crescimento.

O grupo, detido na totalidade pelo fundo de private equity Activum SG, conta atualmente com um portefólio de 25 hotéis em seis países, numa oferta de 4200 quartos - Bélgica, Finlândia, Alemanha, Espanha, Suécia e Países Baixos - que operam, principalmente, sob as insígnias internacionais Marriott, Hilton, IHG, Accor, Hyatt e Radisson.

A entrada em terras lusas faz-se à boleia dos bons indicadores da atividade turística do país. “Acreditamos muito em Portugal e consideramos que o país tem excelentes fundamentos turísticos e reúne os três fatores-chave que analisamos quando entramos num mercado: uma forte procura internacional, uma excelente conectividade aérea e um desempenho hoteleiro muito sólido. Além disso, continuamos a ver espaço para maior penetração de marcas internacionais”, explica ao Gonzalo Escrivá de Romaní, diretor de desenvolvimento ibérico da OHG.

O objetivo é gerir ativos através de contratos de arrendamento e de acordos de gestão hoteleira. “Estamos a trabalhar com investidores institucionais e de perfil core, que normalmente procuram contratos de arrendamento de longo prazo com garantias e renda fixa e com investidores value-add, mais interessados em acordos de gestão hoteleira. Estamos em contacto com fundos alemães, fundos franceses e vários family offices, tanto locais como espanhóis”, explica.

A elevada concorrência no país é um desafio na hora de procurar oportunidades, assume, mas o “historial comprovado”, a flexibilidade na escolha das marcas e na estrutura dos contratos que o grupo oferece são apontados como vantagens na hora de penetrar no mercado nacional. “Do ponto de vista da empresa, estamos preparados. E, do ponto de vista do mercado, acreditamos que Portugal tem tudo aquilo de que precisamos para acrescentar valor enquanto operador hoteleiro white-label. Além disso, continua a existir muito capital internacional ativo e alguns proprietários procuram soluções de operação mais flexíveis e profissionais, poderemos ser um excelente parceiro”, afiança.

Para já, os planos passam por Lisboa, pelo Porto e pelo Algarve por se figurarem como “áreas mais consolidadas do ponto de vista turístico”. A neerlandesa procura tanto hotéis boutique com uma dimensão entre 80 a 100 quartos, como empreendimentos de maior escala orientados para reuniões e eventos. A proposta contempla segmentos de upper midscale e de luxo.

“Além das tradicionais oportunidades de aquisição e operação de hotéis, procuramos também projetos de desenvolvimento fora das localizações mais óbvias, onde acreditamos que a oferta continua limitada e onde podemos criar valor através do reposicionamento dos ativos e da implementação de marcas internacionais. Também analisamos conversões de ativos existentes nas zonas centrais de Lisboa e Porto, onde sabemos que existe uma boa localização, qualidade do ativo e potencial de criação de valor. Embora os preços sejam desafiantes, acreditamos que podemos acrescentar muito valor enquanto operador multimarca”, refere Gonzalo Escrivá de Romaní.

A operadora tem já um contrato assinado para a primeira unidade, no Porto, com uma oferta de 200 quartos, que marcará a estreia no país em 2028. Depois de consolidada a presença nas três cidades, o responsável admite olhar para localizações secundárias.

Romaní diz-se ciente dos constrangimentos do mercado português, nomeadamente no que respeita às infraestruturas aeroportuárias, mas a forte procura internacional dão ânimo às intenções de investimento.

“Existem desafios, naturalmente, mas acreditamos que o mercado continuará a apresentar um bom desempenho. Talvez haja algumas melhorias a fazer nos aeroportos, mas, na nossa opinião, Portugal tem muito boas ligações internacionais aos principais mercados europeus, que são precisamente os mercados onde estamos mais consolidados, como a Alemanha ou o Reino Unido”, aponta.

Além de Portugal, o OHG irá também expandir-se para Itália onde pretende gerir entre seis a oito hotéis nos próximos três anos.

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