Miranda Sarmento: “Portugal pode chegar a 2031 com uma divida pública inferior à da Alemanha"
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou esta quarta-feira que a redução da dívida pública vai continuar a ser o “ponto crítico” da economia portuguesa em 2027 e que o objetivo inscrito na proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano, de 84,5% do PIB, é realista, tendo em conta a atual previsão de crescimento da economia.
Em 2026, segundo as previsões do Governo, a dívida pública vai ficar nos 87,5%. A economia deverá crescer 2,3% este ano e 2,1% no próximo, de acordo com as contas do Executivo.
“Temos de continuar este esforço. A redução da dívida para abaixo dos 85% do PIB vai continuar a ser o ponto crítico da economia portuguesa”, defendeu Joaquim Miranda Sarmento na sua intervenção de abertura da conferência sobre a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2027, que a Ordem dos Economistas e o Institute of Public Policy (IPP) promovem esta quarta-feira, 4 de novembro, no ISEG, em Lisboa.
“Portugal pode chegar a 2031 com uma dívida de 72% do PIB, abaixo da Alemanha. Se chegarmos ao início da próxima década abaixo da Alemanha, será um marco extraordinário para Portugal, para mais quando - e não é se, mas quando - os choques externos afetarem o nosso crescimento económico”, salientou Joaquim Miranda Sarmento, citando as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Adiantou que Portugal está quatro pontos abaixo dos objetivos acordados com a Comissão Europeia e que este processo de redução da dívida tem "contribuído muito para o reforço da nossa credibilidade externa”. Portugal foi o terceiro país da União Europeia a reduzir mais a dívida entre 2023 e 2025, ficando atrás apenas da Grécia e de Chipre, notou, num contexto em que outros países europeus têm aumentado a dívida pública, incluindo a Alemanha, que registou uma subida significativa dos gastos militares.
Desafiado pelo bastonário dos Economistas, António Mendonça, a comentar o facto de a proposta de OE2027 contemplar uma descida superior a 30% no investimento público - invertendo a tendência dos dois últimos orçamentos (de 2025 e 2026), que tiveram verbas significativas do PRR -, o ministro reconheceu que há uma descida em termos globais (da ordem dos 30%), mas frisou que ainda assim o investimento é positivo em termos líquidos e fica acima do registado nos dez anos anteriores a 2025.
“Ainda que haja muito PRR, senhor bastonário, há muito investimento que é feito com receita de impostos. As autarquias estão a financiar muitos investimentos com receitas de impostos”, defendeu Miranda Sarmento, acrescentando que, sem PRR, o investimento público sobe mais de 6% face a 2026. Um comentário que foi referido pelo orador seguinte, o economista Paulo Trigo Pereira, que afirmou que o ministro "está a ver o "copo meio cheio" e que a comparação deveria ser feita tendo em conta os valores recebidos no âmbito do PRR. "Se esses investimentos foram feitos até 2026, com o PRR, é porque foram necessários", argumentou o economista.
A conferência sobre o OE2027, promovida pela Ordem dos Economistas e pelo Institute of Public Policy (IPP), conta com o bastonário António Mendonça, Paulo Trigo Pereira, Vera Gouveia Barros, Susana Peralta, António Rebelo de Sousa e António Costa e Silva, entre outros oradores.
