Metade dos que procuram casa querem pagar entre 100 e 200 mil euros
Gerardo Santos / Global Imagens

Metade dos que procuram casa querem pagar entre 100 e 200 mil euros

Portugueses acabam por pagar, em média, quase 190 mil euros e optar por apartamentos mais pequenos e de tipologia T2.  O preço de uma renda é também superior ao que pretendiam despender.
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A maioria dos portugueses não consegue adquirir uma casa, ou mesmo arrendar, devido ao elevado preço. Esta é uma das principais conclusões do Estudo da habitação em Portugal 2024: o que mudou nos últimos anos, da Century 21, que será hoje divulgado em Lisboa, numa conferência promovida por esta rede imobiliária . Segundo revela o documento, o custo da habitação no país é o motivo que impede 55% dos inquiridos de avançarem para a aquisição ou arren- damento de um residência.

O relatório, que se debruça sobre as dinâmicas de procura e oferta de habitação em Portugal e a forma como evoluíram nos últimos anos, lembra que, ainda em 2018, a principal razão que impedia uma transação prendia-se com a desadequação entre o que os potenciais compradores desejavam e o que estava no mercado (42% dos inquiridos). Agora, só 18% alegam que não encontram a casa que pretendem.

Estas tendências do mercado refletem-se também na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Segundo o documento, 51,2% dos cidadãos da AML não compram, nem arrendam, devido ao preço da habitação. E 27,9% dizem não ser a altura certa para comprar um imóvel, mais do que os 23% de todo o país.

A nível nacional, a preferência de 50% dos inquiridos vai para casas entre os 100 mil e os 200 mil euros, sendo que o preço médio que acabam por pagar é de 189 823 euros. Para arrendar, 55% procura um imóvel até aos 500 euros, mas a renda média paga é da ordem dos 589 euros. Na AML, a procura não é distinta do todo nacional. No entanto, o preço médio das aquisições aumenta para 216 466 euros, assim como a renda média sobe para 666 euros.

Face ao valor das casas, à oferta no mercado e ao rendimento disponível, os portugueses acabam por optar por habitações de menor dimensão. Como adianta o estudo, a maioria das pessoas procura um T3 para comprar ou arrendar, mas acaba por se decidir por um T2. As áreas são também menores do que o pretendido e são privilegiados os apartamentos.

O custo da habitação no país está também a alterar as preferências dos compradores no que se refere à localização. Apesar de a maioria desejar adquirir casa no centro ou nas zonas periféricas ao centro das cidades, há uma maior aceitação pela opção subúrbios. O relatório revela que 21,8% dos inquiridos estão dispostos a ir viver para cidades satélite, quando, em 2018, só 14,8% admitia essa possibilidade.

A faixa etária entre os 30 e os 39 anos é a mais ativa na procura de casa, assim como as famílias de duas a três pessoas. Curiosamente, são as mulheres (63%) que mais pesquisam por habitação. Em 2024, a principal motivação para adquirir ou arrendar casa já não é o casamento ou a união de facto, mas a independência. Neste contexto, também as ambições de ter uma casa melhor e aumentar a família que, em 2018, levavam os portugueses a mudar de habitação, deram lugar a razões de caráter financeiro e ao desejo de uma habitação mais adequada. 

Em simultâneo, duplicou a fatia de procura que recorre à venda da casa antiga para financiar a aquisição de uma nova, 12% em 2018 para 25%. Ser proprietário de uma habitação mantém-se uma aspiração para a larga maioria dos portugueses (92%), embora 65% das pessoas viva já em casa própria e 32% em arrendada. 

O estudo, cuja coordenação e análise esteve a cargo da Century 21 e da Vida Imobiliária, teve por base um público residente em Portugal com idade igual ou superior a 18 anos que vendeu, arrendou ou procurou casa nos últimos 12 meses ou que tenciona fazê-lo nos próximos 12 meses.

sonia.s.pereira@dinheirovivo.pt

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